Falar sobre prevenção da violência contra a mulher na escola exige sensibilidade, responsabilidade e, principalmente, uma abordagem adequada à idade dos estudantes. Quando pensamos em alunos do 6º ano do Ensino Fundamental, estamos falando de uma fase de transição, em que crianças e adolescentes começam a ampliar sua autonomia, construir novas relações sociais e desenvolver maneiras mais complexas de compreender a si mesmos e aos outros.
Por isso, o Agosto Lilás pode ser trabalhado com essa turma não apenas como uma campanha sobre violência, mas como uma oportunidade para conversar sobre respeito, empatia, igualdade, limites, emoções, diálogo e relações saudáveis.
Pensando nessa necessidade, o Ello Educar preparou uma atividade gratuita sobre o Agosto Lilás para o 6º ano, acompanhada de um Manual do Professor com orientações pedagógicas, sugestões de aplicação, alinhamento à BNCC, gabarito e propostas de mediação.
Neste artigo, vamos conhecer a proposta do material e conversar sobre maneiras de abordar esse tema com pré-adolescentes de forma educativa, preventiva e acolhedora.
Continue a leitura para descobrir como baixar o material em PDF, 100% gratuito, com o gabarito em anexo ao PDF e Manual do professor, facilitando o planejamento e a aplicação da proposta em sala de aula.
O que é o Agosto Lilás?
O Agosto Lilás é um período nacional de conscientização voltado à proteção da mulher e à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
A campanha está relacionada à Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), sancionada em 7 de agosto de 2006. Em 2022, a Lei nº 14.448 instituiu oficialmente, em âmbito nacional, o Agosto Lilás como mês de proteção à mulher, destinado à conscientização para o fim da violência contra a mulher. A legislação também prevê ações de conscientização e esclarecimento sobre as diferentes formas de violência contra a mulher.
Dessa forma, o Agosto Lilás não deve ser entendido apenas como uma campanha de divulgação. Ele também representa uma oportunidade para ampliar o conhecimento da sociedade sobre prevenção, direitos, respeito e enfrentamento da violência.
Na escola, esse trabalho pode ganhar uma dimensão especialmente educativa: ensinar crianças e adolescentes a reconhecer comportamentos de desrespeito, compreender seus próprios sentimentos, respeitar os limites das outras pessoas e buscar formas não violentas de resolver conflitos.
Por que trabalhar o Agosto Lilás com alunos do 6º ano?
O 6º ano marca uma importante mudança na trajetória escolar. Os estudantes deixam os Anos Iniciais e passam a vivenciar uma rotina com maior número de professores, novas responsabilidades, diferentes grupos de convivência e demandas crescentes de autonomia.
Ao mesmo tempo, estão vivendo uma fase de intensas transformações pessoais e sociais. Nesse contexto, a escola pode contribuir para que os estudantes desenvolvam ferramentas para compreender melhor suas emoções e suas relações com outras pessoas.
Trabalhar o Agosto Lilás com essa faixa etária não significa apresentar conteúdos excessivamente complexos ou expor os alunos a relatos de violência. Pelo contrário: significa começar pela prevenção.
É possível conversar sobre situações que fazem parte do universo dos estudantes, como:
- uma discussão entre amigos;
- o sentimento de ciúme;
- a dificuldade de lidar com a frustração;
- brincadeiras que ultrapassam os limites;
- apelidos e comentários humilhantes;
- tentativas de controlar amizades;
- diferenças de opinião;
- estereótipos sobre meninos e meninas;
- maneiras de pedir desculpas;
- formas de resolver conflitos por meio do diálogo.
Essas situações permitem trabalhar conceitos importantes sem transformar a sala de aula em um espaço de exposição de experiências pessoais.
É nesse contexto que nasce esta atividade
Foi pensando nessa abordagem preventiva que elaboramos a Atividade Agosto Lilás para o 6º ano.

A proposta trabalha o tema a partir de situações próximas da realidade dos estudantes, começando pelo reconhecimento das emoções e avançando para questões relacionadas ao respeito, à resolução de conflitos, às diferenças, aos estereótipos e às relações saudáveis.
O material foi desenvolvido para que o professor possa conduzir a discussão de maneira gradual, sem transformar o assunto em uma abordagem pesada ou inadequada para a faixa etária.
Além das atividades destinadas aos estudantes, o material conta com um Manual do Professor, que reúne orientações para aplicação, objetivos pedagógicos, alinhamento à BNCC, gabarito, sugestões de mediação e cuidados importantes para a abordagem do tema.
Nos próximos tópicos, vamos conhecer melhor cada parte dessa proposta e entender como utilizá-la em sala de aula.
Conheça a atividade Agosto Lilás para o 6º ano
Depois de compreender por que o Agosto Lilás pode ser trabalhado de maneira preventiva com estudantes do 6º ano e conhecer algumas possibilidades de abordagem em sala de aula, chegou a hora de apresentar o material que preparamos para essa proposta.
A Atividade Agosto Lilás – Respeito, Empatia e Diálogo: construindo relações saudáveis foi elaborada especialmente para estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental, com uma linguagem adequada à faixa etária e uma abordagem que prioriza reflexão, diálogo, respeito e prevenção.
O recurso foi organizado com muito carinho e dedicação pela professora Lídia Maria Sousa de Lima, pedagoga e psicopedagoga, pensando em oferecer um material prático para apoiar o planejamento e enriquecer as aulas.
O material foi pensado para ser utilizado de forma prática pelo professor (a) e pode ser aplicado em uma ou duas aulas, dependendo do tempo disponível e da profundidade das discussões realizadas com a turma.
📚 O que você encontrará no material?
O arquivo em PDF é composto por 4 páginas:
- 2 páginas de atividades para os estudantes;
- 2 páginas do Manual do Professor, com orientações pedagógicas, BNCC, gabarito e sugestões de mediação.
As páginas dos estudantes foram organizadas para combinar leitura, reflexão, pesquisa, resolução de situações-problema e expressão de opiniões.
Já o Manual do Professor foi elaborado para facilitar o planejamento e a aplicação da proposta em sala de aula.
Página 1 – Emoções, respeito e resolução de conflitos
A primeira página inicia a proposta apresentando o tema de maneira leve e próxima do cotidiano dos estudantes.
O texto “O respeito faz toda a diferença” convida a turma a refletir sobre uma ideia fundamental:
Todos nós sentimos emoções, mas podemos escolher maneiras diferentes de lidar com aquilo que sentimos.

A partir dessa discussão, o estudante é levado a perceber que sentimentos como raiva, ciúme e frustração são naturais, mas não justificam comportamentos agressivos.
Essa diferenciação é importante porque evita uma compreensão equivocada de que sentir determinada emoção torna alguém uma pessoa violenta.
O objetivo é ajudar o estudante a compreender que existe uma diferença entre:
sentir → reconhecer → refletir → escolher como agir.
Atividade 1 – Sentimentos ou atitudes?
Na primeira atividade, os estudantes analisam diferentes situações e precisam identificar se estão diante de um sentimento ou de um comportamento agressivo/inadequado.
Entre as situações propostas estão exemplos como sentir ciúme, sentir raiva, gritar, humilhar e controlar outra pessoa.
A atividade permite trabalhar uma distinção muito importante:
Sentimentos fazem parte da vida. Agressões e comportamentos de controle precisam ser questionados.
Durante a correção, o professor pode aproveitar as respostas para conversar sobre maneiras saudáveis de lidar com emoções difíceis.
Atividade 2 – Como eu resolveria?
Na sequência, os estudantes encontram situações-problema relacionadas a conflitos do cotidiano.
Em vez de simplesmente identificar o que está certo ou errado, eles são convidados a pensar em soluções possíveis.
A proposta trabalha estratégias como:
- conversar;
- ouvir;
- negociar;
- dividir;
- esperar;
- pedir ajuda;
- controlar impulsos;
- buscar uma solução que respeite as pessoas envolvidas.
Essa atividade é importante porque transforma o conceito de “resolver conflitos sem violência” em uma situação concreta.
O estudante precisa pensar:
“Se isso acontecesse comigo, o que eu poderia fazer?”
Página 2 – Igualdade, pesquisa e reflexão
Na segunda página, a atividade amplia a discussão.
O texto “Respeito é para todos” aborda a importância de respeitar as diferenças e questionar ideias preconcebidas sobre o que seria “coisa de menino” ou “coisa de menina”.

A proposta não pretende dizer aos estudantes do que eles devem gostar.
O objetivo é levá-los a perceber que gostos, talentos, profissões, brincadeiras, sentimentos e escolhas não precisam ser determinados por estereótipos de gênero.
Essa discussão contribui para uma convivência mais respeitosa e ajuda a desconstruir ideias que podem limitar meninos e meninas.
Atividade 3 – Pesquisando
Depois da leitura, os estudantes são convidados a realizar uma pequena pesquisa sobre o Agosto Lilás.
As perguntas abordam:
- o que é a campanha;
- quando foi criada;
- qual é seu objetivo;
- quais atitudes podem contribuir para a prevenção da violência.
Essa etapa amplia a atividade para além da opinião pessoal.
O estudante precisa buscar informações, selecionar dados e compartilhar conhecimentos, desenvolvendo também habilidades relacionadas à pesquisa e à participação em discussões de relevância social.
Para tornar a pesquisa mais significativa, o professor pode orientar os alunos a consultar fontes confiáveis e, posteriormente, compartilhar com a turma as informações encontradas.
Atividade 4 – Minha opinião
A última atividade da sequência apresenta questões abertas para que os estudantes expressem suas próprias ideias.
Eles são convidados a refletir sobre perguntas como:
O que significa respeito para você?
Como podemos resolver conflitos sem violência?
Como podemos agir diante de uma situação de desrespeito?
Que mensagem você deixaria para incentivar relações baseadas no respeito?
Não existe uma única resposta correta para essas questões.
O objetivo é estimular a expressão de opiniões, a reflexão e a construção de argumentos, sempre dentro de uma perspectiva de respeito e convivência democrática.
O professor pode utilizar algumas respostas como ponto de partida para uma conversa coletiva.
Atividade extra – Semáforo das relações
Como complemento, o material propõe o Semáforo das Relações.
A dinâmica utiliza três cores para ajudar os estudantes a refletirem sobre diferentes comportamentos:
🟢 Verde – atitudes saudáveis
São comportamentos que contribuem para relações baseadas em respeito, diálogo e cooperação.
🟡 Amarelo – atenção e diálogo
São situações que precisam ser analisadas e podem indicar a necessidade de conversa, reflexão ou mudança de comportamento.
🔴 Vermelho – atitudes que não devem ser normalizadas
São comportamentos como humilhação, intimidação, ameaças e controle que ultrapassam os limites de uma convivência saudável.
Um ponto importante dessa atividade é reforçar que sentir uma emoção não é o mesmo que praticar uma violência.
Sentir raiva ou ciúme, por exemplo, não coloca automaticamente uma pessoa no “vermelho”. O que precisa ser analisado é a maneira como ela escolhe agir diante daquele sentimento.
Meu compromisso com o respeito
Para finalizar a atividade, os estudantes são convidados a assumir um pequeno compromisso pessoal relacionado ao respeito.
A proposta pode ser utilizada individualmente ou transformada em uma construção coletiva da turma.
Alguns compromissos possíveis são:
Ouvir antes de julgar.
Respeitar as diferenças.
Resolver conflitos por meio do diálogo.
Não humilhar nem intimidar.
Respeitar os limites das outras pessoas.
Pedir ajuda quando necessário.
Esse momento de fechamento ajuda a transformar o conteúdo trabalhado durante a aula em uma reflexão sobre atitudes concretas do cotidiano.
E o professor também recebe um material de apoio
Uma das características que tornam esta proposta mais completa é que o PDF não termina nas atividades dos estudantes.
Preparamos também duas páginas exclusivas para o professor.
A ideia é facilitar o planejamento e oferecer segurança para a condução de um tema que precisa ser trabalhado com sensibilidade.
Página do Professor 1 – Orientações pedagógicas
A primeira página do Manual do Professor apresenta:
🎯 Objetivos pedagógicos
Explica quais aprendizagens podem ser desenvolvidas a partir da atividade, incluindo reconhecimento das emoções, resolução de conflitos, respeito às diferenças, empatia e construção de relações saudáveis.
💜 Sobre a proposta
Apresenta a perspectiva preventiva adotada no material e orienta o professor sobre a importância de trabalhar o tema de maneira adequada à faixa etária.
🧑🏫 Sugestão de aplicação
O professor encontra uma sugestão de sequência para conduzir a atividade, desde a conversa inicial até a socialização das respostas.
📚 Alinhamento à BNCC
O material apresenta as habilidades selecionadas para a proposta:
- EF69LP13
- EF69LP14
- EF69LP15
- EF69LP25
Também são indicadas as Competências Gerais relacionadas à proposta:
- CG8 – Autoconhecimento e autocuidado;
- CG9 – Empatia e cooperação;
- CG10 – Responsabilidade e cidadania.

A atividade também pode ser articulada ao Tema Contemporâneo Transversal Cidadania e Civismo – Educação em Direitos Humanos.
Página do Professor 2 – Gabarito e mediação
A segunda página foi pensada para estar ao lado do professor durante a correção.
Ela apresenta o gabarito das atividades, incluindo respostas esperadas e orientações para as questões abertas.
Mas o material não se limita às respostas.
Também apresenta:
Sugestões de mediação
Orientações para ajudar o professor a aprofundar determinadas discussões sem transformar a aula em uma exposição excessivamente teórica.
Orientações para o Semáforo das Relações
Explicações sobre como interpretar as categorias verde, amarelo e vermelho.
Cuidados na mediação
Como o tema envolve violência contra a mulher, o material orienta o professor a evitar a exposição de experiências pessoais dos estudantes e a trabalhar prioritariamente com situações fictícias e discussões pedagógicas.
Também há uma orientação importante para situações em que um estudante espontaneamente revele uma experiência de violência: o professor deve acolher, preservar a privacidade e seguir os protocolos de proteção da escola e da rede de ensino, sem realizar uma investigação diante da turma.

Sugestão de fechamento
O professor também encontra uma proposta para finalizar a aula com a construção de um Pacto de Respeito da Turma, transformando as reflexões da atividade em compromissos coletivos.
Um material pensado para ensinar e não apenas para preencher
Ao elaborar esta atividade, nossa intenção foi ir além de uma folha com perguntas sobre o Agosto Lilás.
Queremos que o estudante tenha a oportunidade de ler, pensar, pesquisar, conversar, argumentar e refletir sobre suas atitudes.
Da mesma forma, queremos que o professor tenha em mãos não apenas um PDF para imprimir, mas um recurso que ajude a planejar e conduzir a aula.
Por isso, a proposta reúne:
📖 leitura + 🧠 reflexão + 💬 diálogo + 🔎 pesquisa + 🤝 empatia + 🌱 prevenção
Tudo isso dentro de uma abordagem adequada ao 6º ano e voltada para a construção de relações mais respeitosas e saudáveis.
Na próxima parte, vamos falar sobre como aplicar a atividade em sala de aula, com uma sugestão de sequência, tempo estimado para cada etapa, possibilidades de discussão e o alinhamento pedagógico da proposta.
Como aplicar a atividade Agosto Lilás em sala de aula?
Depois de conhecer a estrutura da atividade, surge uma pergunta importante: como utilizar esse material na prática com uma turma de 6º ano?
A proposta foi pensada para ser flexível. O professor pode desenvolver todas as etapas em uma aula mais longa, dividir o trabalho em duas aulas ou selecionar determinadas atividades de acordo com o perfil e as necessidades da turma.
A seguir, apresentamos uma sugestão de sequência que pode facilitar o planejamento.
1. Comece com uma conversa sobre respeito
Tempo sugerido: 5 a 10 minutos
Antes de entregar a atividade, reserve alguns minutos para conversar com a turma.
Escreva no quadro:
O que significa respeitar alguém?
Permita que os estudantes apresentem suas ideias.
Algumas respostas podem ser:
- ouvir;
- não humilhar;
- aceitar diferenças;
- ajudar;
- respeitar opiniões;
- não agredir;
- saber conversar;
- respeitar limites.
Não é necessário corrigir imediatamente as respostas. O objetivo inicial é descobrir o que a turma já pensa sobre o conceito de respeito.
Depois, explique que o Agosto Lilás pode ser utilizado como ponto de partida para refletir sobre como nossas atitudes influenciam a maneira como convivemos com outras pessoas.
2. Faça a leitura do primeiro texto
Tempo sugerido: 10 minutos
Entregue a primeira página da atividade e realize a leitura do texto “O respeito faz toda a diferença”.
O professor pode optar por:
- leitura silenciosa;
- leitura compartilhada;
- leitura em duplas;
- leitura conduzida pelo professor.
Depois da leitura, retome uma das ideias centrais do texto:
Sentir uma emoção é diferente de escolher uma atitude.
Pergunte aos estudantes:
É possível sentir raiva e não agredir alguém?
O que podemos fazer quando estamos muito irritados?
Por que conversar pode ajudar em um conflito?
Essas perguntas podem gerar uma conversa breve antes da realização das atividades.
3. Desenvolva a Atividade 1
Tempo sugerido: 5 a 10 minutos
Na atividade “Sentimentos ou atitudes?”, os estudantes analisam diferentes situações e classificam o que representa uma emoção e o que representa um comportamento agressivo ou inadequado.
Durante a correção, é interessante não se limitar a dizer “certo” ou “errado”.
Aproveite as respostas para perguntar:
“Se sentir raiva é normal, o que podemos fazer com essa raiva?”
Esse questionamento ajuda a turma a compreender que a educação emocional não significa eliminar sentimentos difíceis, mas desenvolver maneiras mais saudáveis de lidar com eles.
4. Trabalhe as situações-problema
Tempo sugerido: 10 minutos
Na Atividade 2 – Como eu resolveria?, os estudantes são convidados a encontrar soluções para situações de conflito.
Aqui, o professor pode estimular respostas que envolvam:
escuta → diálogo → negociação → solução
Evite apresentar apenas uma resposta considerada “correta”.
Uma situação de conflito pode ter diferentes soluções adequadas.
O mais importante é observar se a proposta do estudante:
- evita agressões;
- respeita as pessoas envolvidas;
- considera os diferentes pontos de vista;
- procura uma solução possível;
- reconhece quando é necessário pedir ajuda.
5. Desenvolva a pesquisa sobre o Agosto Lilás
Tempo sugerido: 15 a 20 minutos
A Atividade 3 – Pesquisando pode ser realizada individualmente, em duplas ou em pequenos grupos.
Se houver acesso à internet, o professor pode orientar os estudantes a consultar sites institucionais e fontes confiáveis.
Caso não exista acesso à internet, a atividade pode ser realizada como pesquisa prévia ou utilizando materiais disponibilizados pelo professor.
Uma possibilidade interessante é dividir as perguntas entre grupos.
Por exemplo:
Grupo 1: O que é o Agosto Lilás?
Grupo 2: Qual é sua origem e quando foi instituído nacionalmente?
Grupo 3: Qual é o objetivo da campanha?
Grupo 4: Que atitudes contribuem para a prevenção da violência?
Depois, cada grupo compartilha suas descobertas com a turma.
Essa estratégia transforma a pesquisa em uma oportunidade de produção e compartilhamento de conhecimento.
6. Converse sobre respeito às diferenças
Tempo sugerido: 10 minutos
Na segunda página, o texto “Respeito é para todos” permite ampliar a conversa para os estereótipos de gênero.
O professor pode apresentar algumas frases:
“Isso é coisa de menino.”
“Isso é coisa de menina.”
“Menino não chora.”
“Menina precisa ser delicada.”
Depois, pergunte:
De onde vêm essas ideias?
Todas as pessoas precisam gostar das mesmas coisas?
Um menino pode demonstrar tristeza?
Uma menina pode gostar de futebol?
As pessoas devem escolher seus sonhos com base no que os outros esperam delas?
A discussão deve ser conduzida de maneira respeitosa, evitando transformar a atividade em um debate entre “meninos contra meninas”.
O objetivo é questionar estereótipos, e não criar novas divisões.
7. Dê espaço para a opinião dos estudantes
Tempo sugerido: 10 a 15 minutos
Na Atividade 4 – Minha opinião, os estudantes têm a oportunidade de registrar suas próprias ideias.
Essa etapa pode ser realizada primeiro individualmente.
Depois, o professor pode convidar voluntários para compartilhar algumas respostas.
É importante lembrar que questões abertas não precisam produzir respostas idênticas.
O professor deve observar principalmente se o estudante consegue:
- expressar sua opinião;
- apresentar uma justificativa;
- respeitar opiniões diferentes;
- propor soluções não violentas;
- demonstrar compreensão sobre respeito e convivência.
8. Finalize com o Semáforo das Relações
Tempo sugerido: 10 minutos
O Semáforo das Relações pode ser utilizado como uma atividade de fechamento.
Apresente as três categorias:
🟢 VERDE
Atitudes saudáveis
São comportamentos que ajudam a construir relações baseadas em respeito, confiança e diálogo.
🟡 AMARELO
Precisam de atenção e diálogo
São situações que podem indicar um conflito ou comportamento que precisa ser repensado.
🔴 VERMELHO
Não devem ser normalizadas
São atitudes que envolvem humilhação, intimidação, ameaça, agressão ou controle.
Durante essa atividade, faça uma observação essencial:
Sentir raiva ou ciúme não é, sozinho, uma atitude violenta. É preciso analisar como a pessoa reage a esse sentimento.
Essa distinção ajuda a evitar que os estudantes aprendam a classificar emoções humanas como comportamentos inadequados.
9. Termine com um compromisso coletivo
Para finalizar a aula, proponha a construção de um Pacto de Respeito da Turma.
Pergunte:
“Que atitudes podemos praticar todos os dias para tornar nossa sala de aula um espaço mais respeitoso e seguro?”
As respostas podem ser registradas no quadro.
Depois, a turma pode escolher algumas delas para compor um cartaz.
Sugestões:
Nós vamos:
💜 ouvir antes de julgar;
💜 respeitar as diferenças;
💜 resolver conflitos por meio do diálogo;
💜 não humilhar nem intimidar;
💜 respeitar os limites das outras pessoas;
💜 pedir ajuda quando necessário.
O cartaz pode permanecer na sala como um lembrete das atitudes discutidas durante a atividade.
Alinhamento com a BNCC
A atividade foi estruturada para mobilizar habilidades de Língua Portuguesa relacionadas à leitura, pesquisa, oralidade, discussão e construção de posicionamentos.
EF69LP13
A habilidade é mobilizada quando os estudantes participam de discussões sobre uma questão de relevância social e contribuem para a construção de conclusões comuns.
Na atividade, isso pode ocorrer durante as conversas sobre respeito, relações saudáveis, prevenção da violência e convivência.
EF69LP14
É trabalhada especialmente na etapa de pesquisa sobre o Agosto Lilás, quando os estudantes formulam perguntas, buscam informações em diferentes fontes e compartilham suas descobertas.
EF69LP15
É mobilizada durante as discussões e socializações, quando os estudantes apresentam argumentos e precisam respeitar os turnos de fala e os diferentes pontos de vista.
EF69LP25
Relaciona-se às situações em que os estudantes expressam e fundamentam seus posicionamentos, respeitando opiniões contrárias e considerando propostas alternativas.
Competências Gerais da BNCC
Além das habilidades específicas de Língua Portuguesa, a proposta dialoga com diferentes Competências Gerais da BNCC.
Competência Geral 8 – Autoconhecimento e autocuidado
A atividade favorece o reconhecimento de emoções e a reflexão sobre maneiras de lidar com sentimentos como raiva, ciúme e frustração.
Competência Geral 9 – Empatia e cooperação
A discussão sobre respeito, escuta, diferenças e resolução de conflitos favorece o desenvolvimento da empatia e da cooperação.
Competência Geral 10 – Responsabilidade e cidadania
A proposta estimula atitudes responsáveis, respeito aos direitos, convivência democrática e participação na construção de relações mais respeitosas.
Tema Contemporâneo Transversal
A atividade também pode ser relacionada à macroárea Cidadania e Civismo, especialmente ao tema Educação em Direitos Humanos.
Essa abordagem permite discutir:
- dignidade;
- igualdade;
- respeito;
- direitos;
- convivência democrática;
- prevenção de diferentes formas de violência.
O tema pode ser trabalhado de forma transversal, dialogando com outras áreas do conhecimento e com projetos desenvolvidos pela escola.
⚠️ Cuidados importantes durante a aplicação
O Agosto Lilás aborda uma questão social sensível. Por isso, alguns cuidados são fundamentais.
Não solicite relatos pessoais
Evite perguntas como:
“Você já sofreu violência?”
ou:
“Alguém da sua família já passou por isso?”
O estudante não precisa contar uma experiência pessoal para participar da atividade.
Trabalhe com situações fictícias
Situações-problema permitem discutir comportamentos e possibilidades de ação sem expor a vida dos estudantes.
Não culpabilize vítimas
Comentários que responsabilizam quem sofreu violência devem ser problematizados e conduzidos com cuidado.
Respeite diferentes níveis de participação
Alguns estudantes podem preferir escrever em vez de falar. Isso também é participação.
Não transforme a atividade em investigação
O objetivo é educativo e preventivo.
Caso um estudante espontaneamente revele uma situação de violência, o professor deve acolher, preservar sua privacidade e seguir os protocolos da escola e da rede de ensino.
💡 Uma sugestão para ampliar a atividade
Se houver tempo disponível, o professor pode transformar o conteúdo em um pequeno projeto de conscientização.
Depois da realização das atividades, os estudantes podem produzir coletivamente:
cartazes, frases, pequenos textos, murais ou mensagens de conscientização sobre respeito e prevenção da violência.
Uma proposta simples é criar um mural com o título:
💜 RESPEITO COMEÇA NAS NOSSAS ATITUDES
Cada estudante pode contribuir com uma frase.
Por exemplo:
“Respeitar é saber ouvir.”
“Diferenças não diminuem ninguém.”
“Conflitos podem ser resolvidos com diálogo.”
“Nenhuma pessoa merece ser humilhada.”
O resultado pode ser exposto em um espaço da escola durante o Agosto Lilás.
Veja mais materiais para trabalhar o Agosto Lilás no Fundamental II:
- Atividades Agosto Lilás para Anos Finais: atividade sobre relacionamentos saudáveis
- Agosto Lilás na Escola: atividades e dinâmica para os anos finais
- Atividades sobre o Agosto Lilás para 6° e 7° ano: plano de aula materiais prontos em PDF
- Atividades sobre o Agosto Lilás para 8° e 9° Ano: plano de aula e material em PDF
Como baixar as atividades em PDF gratuitamente
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Mais do que uma atividade, uma oportunidade de aprendizagem
O principal objetivo desta proposta não é fazer com que os estudantes memorizem conceitos sobre violência.
É ajudá-los a desenvolver ferramentas para a convivência.
Quando uma criança ou adolescente aprende a reconhecer o que sente, expressar suas emoções, ouvir o outro, respeitar limites, questionar estereótipos e procurar soluções não violentas para os conflitos, está construindo conhecimentos que poderão acompanhá-lo em diferentes momentos da vida.
Por isso, o Agosto Lilás pode ser trabalhado na escola como uma oportunidade de educação para o respeito, a cidadania e os direitos humanos.
E o mais importante é que essa aprendizagem não precisa terminar quando o mês de agosto acaba.
Ela pode continuar presente nas relações da turma durante todo o ano.










