O Agosto Lilás na escola pode ser trabalhado com os adolescentes por meio de propostas que estimulem o diálogo, a reflexão e o desenvolvimento de atitudes de respeito. Nos anos finais do Ensino Fundamental, abordar situações relacionadas a ciúme, controle, privacidade, violência psicológica e relacionamentos saudáveis pode ajudar os estudantes a questionarem comportamentos que, muitas vezes, são apresentados como demonstrações de amor ou cuidado.
Este artigo é a continuação da proposta apresentada anteriormente pelo Blog Ello Educar. Na primeira etapa, os estudantes são convidados a analisar a história “O celular de Júlia”, refletindo sobre privacidade, confiança, controle e formas saudáveis de lidar com inseguranças.
📌 Antes de continuar, acesse a primeira parte
Para aproveitar melhor esta sequência, recomendamos que você leia primeiro o artigo anterior e baixe a atividade “O celular de Júlia”. Ela funciona como ponto de partida para a aula apresentada neste conteúdo.
👉 Atividades Agosto Lilás para Anos Finais: atividade sobre relacionamentos saudáveis
Depois de realizar a atividade escrita, a proposta pode avançar para um momento mais participativo, no qual os estudantes terão a oportunidade de se posicionar, ouvir diferentes opiniões, argumentar e refletir coletivamente.
💜 O que você encontrará neste artigo?
Nesta segunda etapa, apresentamos o passo a passo de uma sequência de atividades elaborada para estudantes do 7º, 8º e 9º ano do Ensino Fundamental.
A proposta tem como atividade central o Mural dos Mitos e Verdades, desenvolvido para acontecer depois da atividade “O celular de Júlia”. A dinâmica utiliza frases relacionadas a ciúme, controle, violência psicológica, relacionamentos e respeito para estimular a participação e o debate entre os estudantes.
Ao longo deste artigo, você encontrará orientações para:
- retomar a atividade realizada anteriormente;
- preparar o Mural dos Mitos e Verdades;
- organizar o sorteio das frases;
- conduzir a votação e a discussão;
- realizar as intervenções pedagógicas;
- lidar com possíveis piadas, resistências ou comentários inadequados;
- propor uma reflexão individual aos estudantes;
- realizar o fechamento coletivo da aula.
A proposta foi organizada para que o professor possa acompanhar cada etapa diretamente pelo artigo, enquanto os recursos visuais necessários para a realização da dinâmica ficam disponíveis em um PDF gratuito.
Qual é o objetivo desta proposta?
A sequência busca ampliar a reflexão iniciada com a história de Júlia e Lucas, levando os estudantes a analisar ideias e comportamentos que podem estar presentes nos relacionamentos e que nem sempre são reconhecidos como problemáticos.
O objetivo não é simplesmente fazer com que os alunos classifiquem determinadas frases como “mito” ou “verdade”. A intenção é criar um espaço de diálogo, argumentação, escuta e reflexão, no qual eles possam questionar ideias naturalizadas e compreender a importância do respeito, da autonomia e de relações livres de violência.
A dinâmica também permite que o professor observe os conhecimentos e as percepções da turma para, a partir das respostas apresentadas, realizar intervenções pedagógicas adequadas.
Material gratuito para realizar a aula
Para facilitar a aplicação da proposta, preparamos um PDF gratuito com os recursos visuais necessários para a sequência.
O material reúne as placas do mural, as frases para sorteio, fichas de reflexão e opções para o fechamento da atividade. O arquivo foi organizado para que o professor possa imprimir os recursos e utilizá-los diretamente em sala de aula.
Mas, antes de baixar os recursos, vamos conhecer o passo a passo da aula.
A seguir, você encontrará a sequência na ordem em que ela foi planejada, desde a retomada da atividade “O celular de Júlia” até a reflexão final dos estudantes.
Como começar a aula de Agosto Lilás na escola?
Depois de realizar a atividade “O celular de Júlia”, é possível ampliar a conversa com a turma por meio de uma dinâmica coletiva. A ideia é sair da reflexão individual e criar um espaço em que os estudantes possam expressar suas opiniões, ouvir os colegas e analisar diferentes situações relacionadas ao respeito e aos relacionamentos.
Antes de iniciar o mural, o professor pode fazer uma breve introdução para preparar a turma para a discussão.
🎤 Sugestão de fala para iniciar a aula
A proposta é começar de uma maneira próxima da realidade dos adolescentes, mostrando que o tema não se limita a situações de violência física, mas também envolve comportamentos presentes no cotidiano, como ciúme, controle e invasão da privacidade.
O professor pode adaptar a fala à linguagem da turma, mantendo a ideia central:
“Hoje vamos conversar sobre respeito nos relacionamentos. Às vezes, algumas atitudes podem parecer demonstrações de carinho ou preocupação, mas precisamos pensar: até onde vai o cuidado e onde começa o controle?”
A partir dessa pergunta, retome brevemente a história de Júlia e Lucas.
Pergunte aos estudantes o que mais chamou a atenção na situação apresentada e permita algumas manifestações espontâneas antes de explicar a próxima etapa.
1. Retome a atividade “O celular de Júlia”
A primeira ação da sequência é justamente a atividade apresentada no artigo anterior.
Entregue ou retome a folha “O celular de Júlia” e permita que os estudantes respondam às quatro questões propostas. O roteiro indica aproximadamente 10 minutos para essa etapa.
Caso a atividade já tenha sido realizada anteriormente, não é necessário repetir todo o exercício. Nesse caso, o professor pode fazer uma breve retomada da história e recuperar algumas das ideias discutidas pela turma.
💭 Perguntas para retomar a discussão
Depois das respostas, algumas perguntas podem ajudar a estabelecer a ligação com a próxima atividade:
- O que havia de problemático nas atitudes de Lucas?
- Ele estava demonstrando cuidado ou tentando controlar Júlia?
- Uma pessoa precisa mostrar suas mensagens para provar que ama alguém?
- É possível confiar em alguém e, ao mesmo tempo, respeitar sua privacidade?
- Por que algumas atitudes de controle podem ser confundidas com carinho?
Não é necessário transformar esse momento em um novo debate longo. A intenção é apenas recuperar as principais ideias da atividade anterior e preparar os estudantes para a dinâmica seguinte.
2. Prepare o Mural dos Mitos e Verdades
Depois da retomada, chega o momento de transformar a discussão em uma atividade coletiva.
O Mural dos Mitos e Verdades foi pensado para trabalhar afirmações relacionadas ao Agosto Lilás e aos relacionamentos, permitindo que os estudantes se posicionem diante de cada frase e expliquem seus pontos de vista.
🧰 Materiais necessários
Para montar o mural, você precisará de:
- uma cartolina ou papel-cartão;
- fita adesiva;
- uma placa MITO;
- uma placa VERDADE;
- as tiras com as frases que serão sorteadas.
Esses recursos já estão organizados no PDF gratuito disponibilizado ao final deste artigo prontos para imprimir, caso o professor(a) deseje economizar tempo
Reserve um espaço visível da sala, no quadro ou em uma parede, e coloque as duas placas formando as colunas:
MITO ❌ | VERDADE ✅
No topo do mural, você pode escolher uma das frases de impacto disponíveis no material.
Entre as opções estão:
“Mural do respeito: Onde o diálogo vence a força!”

ou:
“Quem ama cuida, confia e liberta. Diga NÃO ao controle!”

Também há uma terceira opção:
“Relacionamento saudável tem respeito, não tem controle!”

Escolha a frase que melhor combina com o perfil da sua turma.
Transforme o mural em um espaço de participação
Uma possibilidade interessante é montar o mural antes do início da aula, deixando as duas colunas vazias.
Isso cria uma expectativa nos estudantes e permite explicar que não basta colocar uma frase em “Mito” ou “Verdade”: será necessário pensar e justificar a escolha.


Essa orientação é importante porque o objetivo principal da dinâmica não é testar quem sabe a resposta certa, mas estimular a reflexão e o diálogo.
Depois de apresentar o funcionamento do mural, explique à turma que cada estudante terá a oportunidade de participar do sorteio das frases.
3. Sorteio e leitura das frases
Com o mural preparado, coloque as tiras com as afirmações em uma caixa, sacola ou outro recipiente.
Observação: no material em PDF temos as frases já prontas para imprimir e recortar. As frases estão em tiras, para o professor recortar e colocar em uma caixinha ou saquinho para sorteio, conforme a imagem abaixo, e tem em placas para montar o mural na lousa (vamos mostra-lás mais adiante).

Um estudante por vez deverá:
- retirar uma frase;
- fazer a leitura para a turma;
- pensar sobre a afirmação;
- dizer se considera a frase um mito ou uma verdade.
O roteiro prevê aproximadamente 10 minutos para essa etapa.
É importante não revelar imediatamente a classificação correta.
Primeiro, deixe que os próprios estudantes pensem e se posicionem.
💡 Uma dica para o professor
Quando houver dúvida, não entregue a resposta.
Em vez disso, pergunte:
“O que nessa frase fez você pensar que ela é verdadeira?”
ou:
“Que parte dessa afirmação fez você discordar?”
Dessa maneira, o professor consegue perceber como os estudantes estão construindo seus argumentos e pode utilizar as próprias respostas da turma para aprofundar a discussão.
4. Votação e justificativa
Depois que o estudante apresentar sua opinião, a turma poderá se posicionar.
A proposta é perguntar:
“Vocês concordam ou discordam?”
Os estudantes que discordarem podem explicar suas razões, enquanto os demais são convidados a ouvir e considerar os argumentos apresentados.
Só depois desse momento de participação o professor deverá fazer a intervenção pedagógica, apresentando a classificação e explicando por que aquela afirmação deve ser considerada mito ou verdade.
Esse cuidado é importante porque transforma a dinâmica em uma oportunidade de argumentação e aprendizagem, e não apenas em um jogo de acertar respostas.
🌸 E agora começa a parte mais importante do mural…
As sete afirmações foram elaboradas para provocar discussões sobre diferentes aspectos dos relacionamentos e da violência.
Na próxima etapa, vamos analisar cada uma delas, apresentando a classificação e a orientação que o professor pode utilizar para conduzir a conversa com a turma.
Isso é importante porque algumas frases podem parecer verdadeiras à primeira vista – e justamente por isso são excelentes pontos de partida para uma discussão sobre ciúme, controle, respeito, violência psicológica e relacionamentos saudáveis.
5. Intervenção pedagógica: analisando os Mitos e Verdades
Depois que os estudantes votarem e justificarem suas escolhas, chega o momento de realizar a intervenção pedagógica.
Essa etapa é fundamental. O objetivo da dinâmica não é apenas descobrir quem acertou ou errou, mas aproveitar as respostas da turma para desconstruir ideias equivocadas, ampliar a reflexão e relacionar cada afirmação aos princípios do Agosto Lilás. O roteiro original reserva aproximadamente 10 minutos para esse momento.
A seguir, apresentamos as sete afirmações na mesma ordem proposta no material.
Frase 1 – “Quem ama de verdade sente ciúmes e quer controlar o que o outro faz.”
❌ MITO

O ciúme excessivo e o controle não são demonstrações de amor. Esses comportamentos podem estar relacionados à insegurança e ao sentimento de posse.
Em um relacionamento saudável, cada pessoa deve ter espaço para manter suas amizades, fazer escolhas e preservar sua individualidade. Confiança não significa fiscalizar o outro, e carinho não deve ser utilizado como justificativa para controlar comportamentos.
Essa afirmação pode ser relacionada diretamente à história de Júlia e Lucas. Lucas tenta controlar o que Júlia publica e, posteriormente, invade suas conversas particulares. A turma pode ser convidada a perceber que essas atitudes não demonstram confiança, mas desrespeito aos limites da outra pessoa.
💬 Para ampliar a conversa
Pergunte aos estudantes:
“Se alguém precisa controlar o que a pessoa amada veste, publica, com quem conversa ou onde vai, isso é confiança ou falta dela?”
Deixe que alguns alunos respondam antes de complementar a discussão.
Frase 2 – “A violência psicológica (como humilhar, xingar ou proibir de ver amigos) também é crime pela Lei Maria da Penha.”

✅ VERDADE
A violência psicológica é reconhecida pela Lei Maria da Penha como uma das formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. A legislação inclui, entre outras condutas, comportamentos que causem dano emocional ou busquem controlar ações e decisões por meio de ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância, insulto, chantagem e violação da intimidade.
Por isso, é importante que os estudantes compreendam que violência não significa apenas agressão física. Comportamentos psicológicos, emocionais e de controle também podem causar danos graves.
O material original utiliza essa afirmação justamente para desconstruir a ideia de que a violência só deve ser considerada quando existe agressão física.
💡 Sugestão de mediação
Pergunte:
“Por que vocês acham que algumas pessoas têm dificuldade para reconhecer a violência psicológica como violência?”
A pergunta pode ajudar a turma a perceber como determinados comportamentos acabam sendo naturalizados no cotidiano.
Frase 3 – “Em briga de marido e mulher, ninguém deve meter a colher.”
❌ MITO

Esse ditado popular transmite uma ideia perigosa: a de que problemas relacionados à violência dentro de uma família ou relacionamento devem permanecer exclusivamente entre as pessoas envolvidas.
A violência doméstica é uma questão que diz respeito à proteção e aos direitos das pessoas. Por isso, diante de uma situação de violência, oferecer apoio e buscar ajuda são atitudes importantes.
O material sugere trabalhar com os estudantes a ideia de que não devemos simplesmente ignorar uma situação de violência e que é possível procurar ajuda e acionar a rede de proteção.
💬 Para conversar com a turma
Uma pergunta simples pode ajudar:
“Se você percebesse que um amigo está sofrendo algum tipo de violência, o que poderia fazer para ajudá-lo?”
A discussão pode levar os estudantes a pensar sobre a importância de procurar um adulto de confiança, a escola ou outros serviços da rede de proteção.
Frase 4 – “O controle digital, como exigir senhas ou monitorar redes sociais do parceiro, é uma forma de violência.”
✅ VERDADE

Essa afirmação permite retomar diretamente a história de Júlia e Lucas.
Lucas pega o celular de Júlia sem sua autorização e lê suas conversas. Esse comportamento ajuda a ilustrar como a invasão da privacidade pode fazer parte de uma dinâmica de controle.
A privacidade também existe no ambiente digital. Namorar alguém não significa ter direito automático de acessar suas mensagens, exigir suas senhas ou fiscalizar suas conversas.
O material destaca justamente essa conexão com a situação apresentada na atividade anterior.
Além disso, a própria Lei Maria da Penha inclui a violação da intimidade entre os comportamentos que podem caracterizar violência psicológica contra a mulher.
📲 Pergunta para a turma
“Se uma pessoa entrega voluntariamente a senha para alguém, isso significa que ela passa a ser obrigada a mostrar tudo sempre?”
Essa pergunta pode ajudar a diferenciar compartilhamento voluntário de pressão, exigência e vigilância.
Frase 5 – “A violência contra a mulher só acontece em famílias de baixa renda.”
❌ MITO

A violência contra a mulher não é determinada pela renda de uma família.
Ela pode acontecer em diferentes contextos sociais, envolvendo pessoas de diferentes idades, níveis de escolaridade e condições econômicas. Por isso, associar a violência exclusivamente à pobreza contribui para a criação de estereótipos e pode dificultar o reconhecimento do problema.
O material orienta o professor a mostrar aos estudantes que a violência doméstica não escolhe classe social, raça, idade ou nível de escolaridade.
💭 Para ampliar a reflexão
Pergunte:
“Por que será que algumas pessoas acreditam que a violência só acontece em determinados tipos de família?”
A discussão pode mostrar como os estereótipos interferem na maneira como a sociedade percebe situações de violência.
Frase 6 – “Homem de verdade não chora e deve resolver seus problemas na força ou na discussão.”
❌ MITO

Chorar, demonstrar sentimentos, pedir ajuda e conversar sobre aquilo que incomoda são comportamentos humanos e não diminuem ninguém.
A ideia de que meninos e homens precisam esconder emoções ou resolver conflitos por meio da força pode contribuir para a manutenção de comportamentos agressivos e dificultar a construção de relações baseadas no diálogo.
O material propõe justamente uma reflexão sobre masculinidade e expressão de sentimentos, destacando que homens também podem conversar, demonstrar emoções e buscar formas pacíficas de resolver conflitos.
🗣️ Uma pergunta interessante
“Quem é mais corajoso: quem tenta resolver tudo pela força ou quem consegue conversar sobre aquilo que está sentindo?”
Essa pergunta pode gerar uma discussão bastante rica com os adolescentes.
Frase 7 – “Ajudar nas tarefas de casa e respeitar as mulheres não diminui a masculinidade de um menino.”
✅ VERDADE

Cuidar da casa e colaborar com as tarefas domésticas não deve ser considerado responsabilidade exclusiva das mulheres.
As tarefas e os cuidados com o espaço compartilhado devem ser divididos entre as pessoas que vivem naquele ambiente. Colaborar, respeitar e assumir responsabilidades demonstram maturidade, parceria e responsabilidade.
A proposta também ajuda a questionar a ideia tradicional de que determinadas tarefas pertencem às mulheres e que os homens devem ocupar uma posição de superioridade dentro da família.
💜 Para fechar essa etapa
Pergunte:
“O que muda em uma família quando todos entendem que cuidar da casa é responsabilidade de todos?”
A partir das respostas, o professor pode relacionar a discussão à construção de relações mais equilibradas, respeitosas e cooperativas.
O mais importante não é acertar: é aprender a pensar
Ao finalizar as sete frases, vale lembrar aos estudantes que a proposta não foi criada para avaliar quem sabe mais ou quem consegue acertar todas as respostas.
O objetivo foi pensar sobre ideias que circulam na sociedade, questionar comportamentos que podem parecer normais e compreender como nossas atitudes podem contribuir para relações baseadas em respeito e liberdade.
Por isso, valorize também os estudantes que mudaram de opinião depois de ouvir os argumentos dos colegas.
Uma mudança de opinião fundamentada em uma nova compreensão não significa que o aluno “perdeu” o debate. Pelo contrário: demonstra que ele foi capaz de ouvir, refletir e rever sua posição.
Esse pode ser um excelente momento para retomar uma ideia central da aula:
Relacionamentos saudáveis são construídos com respeito, confiança, diálogo e liberdade – não com medo, vigilância ou controle.
E, depois dessa discussão, a sequência pode avançar para uma etapa ainda mais reflexiva: como conduzir a conversa quando surgem piadas, resistência ou comentários machistas durante a aula?
Essa situação pode acontecer especialmente com adolescentes e merece uma mediação cuidadosa. O próprio material preparado para esta sequência apresenta estratégias específicas para ajudar o professor a transformar essas situações em oportunidades de aprendizagem
⚠️ Como lidar com piadas, resistência e comentários inadequados durante a aula
Trabalhar temas como violência, ciúme, controle e relacionamentos saudáveis com adolescentes pode gerar diferentes reações. Alguns estudantes participam com seriedade, enquanto outros podem responder com risadas, piadas ou comentários que reproduzem ideias preconceituosas.
Isso não significa que a dinâmica não esteja funcionando. Pelo contrário: essas manifestações podem revelar concepções que precisam ser discutidas pedagogicamente.
Por isso, o material preparado para esta aula traz algumas estratégias para ajudar o professor a manter o diálogo sem perder os limites de respeito necessários para a discussão.
1. Mantenha a calma e não leve a provocação para o lado pessoal
Uma reação imediata de bronca ou confronto pode encerrar a possibilidade de diálogo.
Quando surgir uma piada ou comentário inadequado, o professor pode manter um tom calmo e sério e tratar aquela manifestação como uma oportunidade para fazer o estudante pensar sobre o que acabou de dizer.
A orientação do material é evitar transformar a situação em uma disputa entre professor e aluno. A intervenção deve continuar sendo pedagógica.
2. Use a “devolução de pergunta”
Uma estratégia interessante é não responder imediatamente dizendo apenas que determinada opinião está errada.
Em vez disso, devolva a questão ao próprio estudante.
Por exemplo, se alguém disser:
“Se ela não deixa ele olhar o celular, é porque está escondendo alguma coisa.”
O professor pode perguntar:
“Você gostaria que alguém controlasse cada passo seu, cada amizade e decidisse o que você pode ou não publicar? Como você se sentiria se tirassem sua liberdade de escolha?”
Essa estratégia desloca a discussão da simples opinião para a reflexão sobre limites, liberdade e respeito.
3. Quando alguém disser que o assunto é “mimimi”, traga a discussão para a realidade
Também pode acontecer de algum estudante afirmar que o tema é exagerado ou que situações de controle não representam violência.
Nesse momento, o professor pode evitar entrar em uma disputa de opiniões e trazer a conversa novamente para o objetivo da aula: reconhecer comportamentos que podem causar danos e compreender como buscar ajuda e prevenção.
O material sugere utilizar a realidade brasileira como ponto de partida para mostrar que a violência não deve ser tratada como algo distante ou irrelevante.
Uma possibilidade é perguntar:
“Se uma pessoa começa controlando o celular, as amizades e as escolhas do parceiro, quais limites estão sendo ultrapassados?”
Assim, a turma volta a analisar comportamentos concretos, em vez de discutir apenas se o tema é “exagero” ou não.
4. Estabeleça limites quando a brincadeira ultrapassar o respeito
Nem toda manifestação inadequada precisa ser ignorada em nome do debate.
Se uma piada for ofensiva, humilhar alguém ou atingir diretamente um estudante da turma, é importante que o professor intervenha de maneira firme.
O material propõe uma fala que reforça que existem momentos para brincar, mas que aquela discussão envolve segurança, dignidade e respeito, e que esses limites precisam ser preservados durante a aula.
Uma ideia central para transmitir à turma é:
“Nesta aula, podemos discordar, questionar e até mudar de opinião. O que não podemos é desrespeitar ou humilhar outra pessoa.”
Essa distinção é importante: debater não significa permitir qualquer comportamento.
5. Valorize os estudantes que participam com maturidade
Outra estratégia apresentada no material é dar visibilidade positiva aos estudantes que contribuem de maneira respeitosa e reflexiva.
Se um aluno fizer uma observação madura, apresentar um argumento interessante ou demonstrar empatia, o professor pode reconhecer publicamente essa participação.
Por exemplo:
“Esse comentário mostra bastante maturidade. É esse tipo de reflexão que ajuda nossa turma a construir relações mais respeitosas.”
A ideia é deslocar o foco da atenção dada ao estudante que tenta provocar risadas para aqueles que estão efetivamente contribuindo para a discussão.
O professor não precisa ter resposta para tudo
Uma discussão como essa pode trazer perguntas inesperadas e opiniões bastante diferentes entre os estudantes.
Não é necessário transformar cada comentário em uma longa explicação.
Muitas vezes, uma boa pergunta pode ser mais educativa do que uma resposta pronta:
“Por que você pensa assim?”
“Como você se sentiria nessa situação?”
“Essa atitude respeita a liberdade da outra pessoa?”
“Qual seria uma maneira mais saudável de resolver esse conflito?”
Essas perguntas ajudam os estudantes a desenvolver o próprio raciocínio e tornam a aula mais participativa.
Depois do debate, é hora de olhar para si mesmo
Após o Mural dos Mitos e Verdades e toda a discussão coletiva, a sequência chega a um momento mais individual.
A proposta é oferecer aos estudantes um espaço para refletir sobre o que aprenderam, suas próprias atitudes e como podem contribuir para relações mais respeitosas.
O fechamento da aula deve ser feito individualmente e pode ser anônimo, se o professor considerar adequado. O material também orienta que as perguntas sejam formuladas sem distinção de gênero, já que respeito e autopercepção são importantes para todos.
Essa será a próxima etapa da sequência: a autoavaliação e a reflexão final sobre o Agosto Lilás.
6. Fechamento da aula: reflexão e autoavaliação
Depois do debate e das intervenções realizadas durante o Mural dos Mitos e Verdades, é importante reservar alguns minutos para que os estudantes façam uma reflexão individual.
Esse momento funciona como uma espécie de pausa depois da discussão coletiva. Em vez de continuar debatendo, cada aluno é convidado a pensar sobre o que aprendeu, suas próprias atitudes e como pode contribuir para relações mais respeitosas.
O roteiro da proposta orienta que essa autoavaliação seja individual e, se o professor considerar adequado, anônima, para favorecer respostas mais sinceras. As perguntas também foram elaboradas sem distinção de gênero, já que respeito, responsabilidade e autopercepção são importantes para todos.
💭 Minhas reflexões sobre o Agosto Lilás
O professor pode entregar a ficha de reflexão disponível no material ou pedir que os estudantes respondam às questões no caderno. No nosso Pdf temos 2 modelos de fichas que podem ser impressas . Veja abaixo o modelo 1:


A proposta apresenta três perguntas:
1. Pensando nas minhas próprias atitudes
Com amigos, namorados(as) ou familiares, eu já tive algum comportamento de controle, ciúme excessivo ou grosseria que possa ter magoado alguém?
O estudante poderá assinalar uma das alternativas:
- Sim, e percebi que preciso mudar.
- Não, sempre busco resolver tudo conversando.
- Fiquei na dúvida e vou prestar mais atenção de agora em diante.
Essa primeira pergunta é importante porque desloca a reflexão do comportamento dos outros para as próprias atitudes.
O objetivo não é fazer o estudante se sentir culpado, mas ajudá-lo a perceber que todos podem aprender maneiras mais respeitosas de lidar com frustrações, ciúmes, conflitos e inseguranças.
2. E se alguém próximo precisar de ajuda?
A segunda pergunta propõe uma situação:
Se eu perceber que uma amiga, amigo ou familiar está vivendo um relacionamento em que a outra pessoa controla suas redes sociais, o isola dos amigos ou o humilha, o que eu pretendo fazer?
Essa questão amplia a discussão para a rede de apoio.
O estudante é convidado a pensar que não precisa ignorar uma situação de desrespeito ou violência. Ele pode refletir sobre a importância de conversar com alguém de confiança e buscar ajuda adequada.
3. O que eu levo desta aula?
A última pergunta é:
Qual foi o maior aprendizado que você leva da aula de hoje para a sua vida?
É uma pergunta simples, mas muito importante para o fechamento.
Ela permite que cada estudante escolha aquilo que considera mais significativo na experiência: talvez tenha sido perceber que ciúme não é prova de amor, compreender melhor o direito à privacidade, pensar sobre o controle nas redes sociais ou perceber a importância de pedir ajuda.
Veja abaixo outro modelo de ficha:


Você escolhe o modelo que melhor se encaixa ao perfil da sua turma!
Por que fazer uma reflexão individual?
Depois de uma dinâmica com participação coletiva, alguns estudantes podem falar bastante, enquanto outros preferem observar e ouvir.
A reflexão individual cria uma oportunidade diferente: todos podem participar, inclusive aqueles que não se sentem à vontade para falar diante da turma.
Além disso, para o professor, as respostas podem funcionar como um importante instrumento de observação.
O material destaca que a leitura dos bilhetes, mesmo sem identificação, pode ajudar o professor a perceber como a turma recebeu a proposta e se existem questões que precisam de atenção posterior.
⚠️ Um cuidado importante
Como algumas respostas podem revelar experiências pessoais ou situações delicadas, é importante que o professor trate esse material com discrição e responsabilidade.
A autoavaliação não deve ser utilizada para expor estudantes diante dos colegas. Caso apareça alguma situação que exija atenção, o professor deve seguir os procedimentos de proteção e encaminhamento adotados pela escola e pela rede de ensino.
💜 Finalizando com um compromisso coletivo
Depois da reflexão individual, a aula pode terminar retomando a ideia central trabalhada durante toda a sequência:
Relacionamentos saudáveis são construídos com respeito, diálogo, confiança, liberdade e responsabilidade.
O material preparado para a aula também disponibiliza frases para o fechamento coletivo, que podem ser colocadas no mural para que os estudantes assinem ao redor delas. Entre as propostas estão mensagens como “Eu faço parte de uma geração sem violência”, além de outras frases relacionadas ao respeito, à igualdade e à construção de relações saudáveis.



Esse pequeno ritual de encerramento ajuda a transformar a discussão em um compromisso coletivo, deixando na sala um registro visual daquilo que foi construído durante a aula.
Uma aula que termina, mas não encerra a conversa
O mais importante desta sequência não é que os estudantes saiam da sala sabendo repetir definições sobre violência.
É que eles consigam reconhecer atitudes de desrespeito, questionar comportamentos de controle, respeitar os limites das outras pessoas e compreender que pedir ajuda é uma possibilidade quando uma situação ultrapassa esses limites.
A combinação entre a história de Júlia, o Mural dos Mitos e Verdades e a reflexão individual cria justamente esse percurso:
📖 compreender → 🗣️ discutir → 🧠 refletir → ✍️ assumir compromissos.
E agora que o passo a passo da aula foi apresentado, falta apenas conhecer os recursos que podem facilitar sua aplicação em sala. O próximo passo é disponibilizar o PDF gratuito com todo o material visual da dinâmica, pronto para imprimir e utilizar com a turma.
Veja mais recursos para trabalhar o Agosto Lilás no Fundamental II:
- Atividades Agosto Lilás para Anos Finais: atividade sobre relacionamentos saudáveis
- Atividades sobre o Agosto Lilás para 6º ano: trabalhando respeito, empatia e diálogo
- Atividades sobre o Agosto Lilás para 6° e 7° ano: plano de aula materiais prontos em PDF
- Atividades sobre o Agosto Lilás para 8° e 9° Ano: plano de aula e material em PDF
Baixe gratuitamente os recursos para o Agosto Lilás
Depois de conhecer todo o passo a passo da proposta, é hora de preparar os materiais para colocar a atividade em prática.
Para facilitar o trabalho do professor, o Blog Ello Educar disponibiliza gratuitamente o PDF com os recursos visuais utilizados nesta sequência de atividades sobre o Agosto Lilás.
O material foi organizado para que você possa imprimir, recortar e utilizar diretamente em sala de aula, sem precisar preparar cada elemento individualmente.
📚 O que você encontrará no PDF?
O arquivo reúne os principais recursos necessários para desenvolver a dinâmica Mural dos Mitos e Verdades e realizar o fechamento da aula.
Entre os materiais disponíveis estão:
- placas para identificação do mural;
- opções de frases para o topo do mural;
- placa “MITO”;
- placa “VERDADE”;
- sete tiras com as afirmações para o sorteio;
- fichas de reflexão para os estudantes;
- frases para o fechamento e compromisso coletivo;
- recursos organizados e prontos para imprimir.
O PDF foi elaborado como um material de apoio à aplicação da aula, permitindo que o professor tenha à disposição os elementos visuais necessários para realizar a proposta apresentada neste artigo.
💡 Dica para impressão
Antes de imprimir todo o material, vale conferir quais recursos serão utilizados de acordo com o tamanho da turma e o espaço disponível para montar o mural.
As placas podem ser impressas em papel de maior gramatura ou coladas em cartolina para ficarem mais resistentes durante a dinâmica.
💜 Baixe o material gratuitamente
Agora você já conhece toda a sequência da aula e pode preparar os recursos necessários para aplicá-la com sua turma.
📥 Clique no CARD abaixo para baixar o PDF gratuito:

O arquivo foi preparado para uso pedagógico e contém os materiais visuais necessários para complementar a proposta apresentada neste artigo.
Importante: o material foi elaborado para uso pedagógico e em sala de aula. Consulte as orientações de direitos autorais incluídas no próprio PDF antes de compartilhar ou reproduzir o conteúdo.
Ainda não realizou a primeira atividade?
Se você chegou diretamente a este artigo, recomendamos começar pela primeira etapa da proposta.
Antes do Mural dos Mitos e Verdades, os estudantes devem ter contato com a atividade “O celular de Júlia”, que apresenta a situação-problema utilizada como ponto de partida para a discussão sobre privacidade, controle, confiança e relacionamentos saudáveis.
👉 Confira o primeiro artigo:
Atividades Agosto Lilás para Anos Finais: atividade sobre relacionamentos saudáveis
Assim, você poderá desenvolver a sequência completa:
📱 Atividade “O celular de Júlia” → 💜 Mural dos Mitos e Verdades → 🗣️ Debate → 🧠 Reflexão → ✍️ Compromisso coletivo
Uma proposta para levar o diálogo além da sala de aula
Trabalhar o Agosto Lilás na escola não significa apenas realizar uma atividade temática em uma data específica.
É também uma oportunidade para ajudar os estudantes a desenvolverem ferramentas importantes para a convivência: respeitar limites, reconhecer comportamentos de controle, dialogar diante dos conflitos, valorizar a liberdade do outro e saber quando procurar ajuda.
Quando a escola cria espaço para esse tipo de conversa de maneira responsável e adequada à faixa etária, ela contribui para uma formação que vai além dos conteúdos acadêmicos.
Esperamos que esta proposta ajude você a transformar o Agosto Lilás em um momento de aprendizagem, diálogo, reflexão e construção de relações mais respeitosas com seus estudantes. 💜










