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Atividades Agosto Lilás para Anos Finais: atividade sobre relacionamentos saudáveis

O Agosto Lilás é uma oportunidade importante para levar à escola discussões sobre respeito, prevenção da violência, autonomia e relacionamentos saudáveis. Com estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental, esse trabalho pode ser desenvolvido de maneira próxima à realidade dos adolescentes, partindo de situações que fazem parte do seu cotidiano, como amizades, redes sociais, mensagens, namoro, ciúme e privacidade.

Pensando nisso, o Blog Ello Educar preparou uma proposta de atividades Agosto Lilás para anos finais, destinada principalmente aos estudantes do 7º, 8º e 9º ano, com uma atividade reflexiva que aborda uma questão muito importante: quando o cuidado deixa de ser cuidado e passa a ser controle?

A atividade principal, intitulada “O celular de Júlia”, apresenta uma situação-problema envolvendo dois adolescentes que começaram a namorar e, ao longo da história, passam por situações relacionadas a ciúme, controle das redes sociais e invasão da privacidade. A proposta convida os estudantes a analisar as atitudes dos personagens e a construir seus próprios argumentos sobre confiança, respeito e limites.

Mais do que simplesmente responder perguntas, a atividade pretende criar um espaço para que os alunos pensem, argumentem, escutem diferentes opiniões e reflitam sobre relacionamentos mais saudáveis.

Continue a leitura para descobrir como baixar as atividades em PDF, 100% gratuito, contendo gabarito, alinhamento a BNCC e Manual do Professor.

💜 Por que trabalhar o Agosto Lilás com adolescentes?

Ao abordar a prevenção da violência com adolescentes, é importante criar oportunidades para conversar também sobre comportamentos que podem ser naturalizados no dia a dia.

Ciúme excessivo, tentativa de controlar amizades, invasão de mensagens, exigência de senhas, pressão para apagar publicações e outras formas de vigilância podem ser apresentadas como demonstrações de amor ou preocupação.

A proposta desta atividade justamente convida os estudantes a questionarem essas ideias e refletirem sobre a diferença entre cuidado, confiança, respeito e controle. A discussão parte de uma situação fictícia, o que permite que a turma analise o comportamento dos personagens sem precisar expor experiências pessoais.

Esse cuidado é especialmente importante quando o tema envolve violência e relacionamentos. O objetivo não é fazer com que os estudantes julguem uma personagem por suas escolhas, mas ajudá-los a compreender que situações de pressão, medo e insegurança podem ser complexas e que pedir ajuda e contar com uma rede de apoio são atitudes importantes.

Objetivos da atividade sobre o Agosto Lilás

A atividade “O celular de Júlia” foi elaborada para promover uma reflexão sobre comportamentos que podem aparecer em relacionamentos entre adolescentes e que, muitas vezes, acabam sendo confundidos com demonstrações de amor, cuidado ou preocupação.

O material que produzimos possui:

  • Folha de atividade “O celular de Júlia” para os alunos;
  • gabarito;
  • expectativas de respostas dos alunos ;
  • orientações de mediação para cada questão;
  • objetivos pedagógicos;
  • habilidades da BNCC;
  • Competências Gerais da BNCC;
  • orientações para o professor;
  • material organizado em formato de Manual do Professor.
Atividades Agosto Lilás para os anos finais
Atividades Agosto Lilás para os anos finais

A proposta busca ajudar os estudantes a perceber que respeito, confiança e liberdade são elementos importantes de relações saudáveis e que ninguém precisa abrir mão da própria privacidade ou autonomia para provar que gosta de outra pessoa.

Entre os principais objetivos estão:

  • identificar comportamentos relacionados ao controle e à invasão de privacidade;
  • diferenciar cuidado, carinho e confiança de atitudes de controle e posse;
  • refletir sobre o direito à privacidade nos relacionamentos;
  • desenvolver empatia diante de situações de insegurança e pressão;
  • estimular a argumentação e a expressão de opiniões;
  • refletir sobre maneiras saudáveis de lidar com conflitos e inseguranças;
  • reconhecer a importância da rede de apoio;
  • incentivar atitudes de respeito, diálogo e estabelecimento de limites.

A atividade também pode contribuir para que os estudantes compreendam que pedir ajuda diante de uma situação de desrespeito ou violência é uma atitude de proteção, e não de fraqueza.

Para quais anos a atividade é indicada?

A proposta foi pensada para estudantes do:

7º, 8º e 9º ano do Ensino Fundamental – Anos Finais.

O tema pode ser trabalhado em diferentes componentes curriculares e projetos interdisciplinares, especialmente em propostas que envolvam Língua Portuguesa, cidadania, direitos humanos, cultura digital e convivência.

Como a atividade utiliza uma situação fictícia próxima do cotidiano dos adolescentes, ela pode ser adaptada pelo professor de acordo com a maturidade da turma e com as características da comunidade escolar.

Também é possível utilizá-la como parte de uma programação especial do Agosto Lilás, em projetos de conscientização, semanas temáticas ou ações voltadas à prevenção da violência.

A atividade “O celular de Júlia”

Júlia e Lucas têm 13 anos e estudam na mesma sala. Depois de dois meses de namoro, algumas atitudes de Lucas começam a mudar.

Júlia publica uma foto com seus melhores amigos da escola, mas Lucas demonstra ciúme, envia várias mensagens dizendo que ela não o respeita e exige que a foto seja apagada. Para evitar uma briga, Júlia atende ao pedido.

No dia seguinte, Lucas pede o celular de Júlia com a justificativa de que quer “ver um jogo”, mas começa a ler suas conversas particulares. Quando ela tenta recuperar o aparelho, ele utiliza uma frase para justificar sua atitude:

“Se você não tem nada a esconder, por que está nervosa? Quem ama confia e mostra tudo.”

A partir desse momento, os estudantes são convidados a olhar para a situação com atenção.

Lucas está demonstrando confiança ou tentando controlar Júlia?

Ter um relacionamento significa abrir mão da privacidade?

É possível amar alguém e, ainda assim, respeitar seu espaço individual?

Essas são algumas das questões que podem surgir durante a discussão.

A história foi construída justamente para provocar esse tipo de reflexão e levar os estudantes a perceber que confiança não deve ser confundida com fiscalização, assim como carinho não deve ser utilizado para justificar comportamentos de controle.

Atividades Agosto Lilás para os anos finais
Atividades Agosto Lilás para os anos finais

Respondendo aos desafios

Depois da leitura da história, os estudantes respondem a quatro questões reflexivas.

Questão 1 – Privacidade e confiança

A primeira questão leva o aluno a analisar se Lucas tinha o direito de acessar as mensagens de Júlia sem sua autorização e a diferenciar confiança de respeito à privacidade.

Questão 2 – Amor ou controle?

Na segunda questão, os estudantes analisam a frase “quem ama confia e mostra tudo” e refletem sobre atitudes como monitorar redes sociais e exigir que o parceiro apague fotografias.

Questão 3 – Por que Júlia aceitou?

A terceira questão amplia a reflexão e procura compreender por que Júlia acabou cedendo às atitudes de Lucas, mesmo tendo ficado triste e envergonhada.

Essa pergunta é especialmente importante para trabalhar empatia, evitando que os estudantes simplesmente culpem a personagem por suas escolhas.

Questão 4 – O que você faria para ajudar?

Na última questão, o aluno é convidado a imaginar que Júlia é sua melhor amiga e pensar em um conselho para ela, além de refletir sobre maneiras saudáveis de lidar com inseguranças.

A proposta também permite conversar sobre a importância de procurar pessoas de confiança quando alguém passa por uma situação de controle ou violência.

🧠 O que essa atividade pode despertar nos estudantes?

As questões foram pensadas para que os alunos avancem gradualmente na reflexão.

Na primeira, eles analisam o direito à privacidade e a diferença entre confiança e vigilância.

Na segunda, precisam questionar uma frase que pode parecer romântica à primeira vista, mas que, dentro da situação apresentada, é utilizada para justificar uma atitude de controle.

A terceira questão convida os estudantes a desenvolver empatia, procurando compreender por que uma pessoa pode aceitar determinada situação mesmo quando se sente triste ou desconfortável.

Por fim, a quarta questão amplia a reflexão para a rede de apoio, levando o aluno a pensar sobre como poderia ajudar alguém que estivesse passando por uma situação semelhante.

Dessa forma, a atividade não busca apenas identificar se uma atitude está certa ou errada. Ela pretende desenvolver a capacidade de analisar situações, argumentar, reconhecer limites e pensar em formas mais saudáveis de convivência

Uma atividade para conversar, não apenas responder

Um dos principais diferenciais desta proposta é que as perguntas não precisam ser trabalhadas somente como uma atividade escrita.

Depois que os alunos terminarem, o professor pode promover uma conversa coletiva, permitindo que eles expliquem seus pontos de vista e percebam que diferentes respostas podem surgir para uma mesma situação.

Nesse momento, algumas perguntas podem ajudar a ampliar o diálogo:

  • Ciúme é sempre uma demonstração de amor?
  • Quem namora deixa de ter direito à privacidade?
  • Qual é a diferença entre cuidado e controle?
  • Como estabelecer limites em uma relação?
  • O que podemos fazer quando percebemos que um amigo está passando por uma situação assim?

O professor pode utilizar as respostas dos estudantes como ponto de partida para aprofundar a discussão, sempre procurando manter um ambiente de respeito e acolhimento.

💜 Quer continuar a aula?

Se você gostou da proposta “O celular de Júlia”, não pare por aqui!

No próximo artigo do Blog Ello Educar, vamos apresentar a continuação da sequência, com a dinâmica Mural de Mitos e Verdades, frases para trabalhar com a turma, sugestões de intervenção pedagógica, estratégias para lidar com possíveis resistências dos estudantes, autoavaliação e um roteiro para ajudar o professor a iniciar a conversa.

👉 Conclua a leitura desse artigo e depois continue a proposta acessando o artigo:
Agosto Lilás na escola: sequência de atividades e dinâmicas para os anos finais

Habilidades da BNCC

A atividade permite desenvolver habilidades relacionadas à leitura, argumentação, diálogo, análise de situações-problema e posicionamento diante de questões socialmente relevantes.

Para os anos finais do Ensino Fundamental, destacamos:

EF69LP11

Identificar e analisar posicionamentos defendidos e refutados em interações polêmicas e posicionar-se diante deles de forma clara, respeitando os direitos humanos.

Na atividade, essa habilidade pode ser explorada quando os estudantes analisam as atitudes de Lucas, discutem a ideia de que “quem ama confia e mostra tudo” e apresentam seus próprios posicionamentos.

EF69LP13

Engajar-se e contribuir para a busca de conclusões comuns relativas a problemas, temas ou questões polêmicas de interesse da turma e/ou de relevância social.

Essa habilidade pode ser trabalhada especialmente durante a discussão coletiva após a realização da atividade.

EF69LP14

Formular perguntas e analisar questões polêmicas, explicações e argumentos, buscando informações que possibilitem uma análise mais aprofundada.

As quatro questões da atividade favorecem esse processo ao convidar os estudantes a analisar privacidade, confiança, controle, insegurança e formas de buscar ajuda.

EF69LP15

Apresentar argumentos e contra-argumentos coerentes, respeitando os turnos de fala e opiniões divergentes em discussões sobre temas controversos e/ou polêmicos.

A habilidade pode ser desenvolvida durante uma conversa ou debate realizado após a resolução das questões.

EF69LP24

Discutir casos reais ou simulados que envolvam possíveis desrespeitos a direitos e normas, favorecendo a compreensão das leis e o fortalecimento da defesa de direitos.

A história de Júlia e Lucas funciona como uma situação simulada que permite discutir privacidade, respeito, limites e comportamentos de controle.

Competências Gerais da BNCC

Além das habilidades específicas, a proposta dialoga com diferentes Competências Gerais da BNCC.

Competência Geral 4 – Comunicação

A atividade estimula os estudantes a expressarem opiniões, sentimentos e posicionamentos por meio do diálogo e da argumentação.

Competência Geral 5 – Cultura Digital

A presença do celular, das mensagens e das redes sociais na história permite discutir o uso crítico, ético e responsável das tecnologias digitais nas relações sociais.

Competência Geral 7 – Argumentação

Os estudantes são convidados a apresentar seus pontos de vista e justificar suas respostas diante de uma situação-problema.

Competência Geral 8 – Autoconhecimento e autocuidado

A atividade possibilita refletir sobre emoções, inseguranças, limites pessoais e maneiras responsáveis de lidar com conflitos.

Competência Geral 9 – Empatia e cooperação

Ao imaginar o que diriam ou fariam se Júlia fosse uma amiga, os estudantes são estimulados a exercitar a empatia e pensar sobre apoio e respeito.

Competência Geral 10 – Responsabilidade e cidadania

A proposta incentiva decisões baseadas em respeito, responsabilidade, autonomia e princípios éticos.

Como aplicar a atividade em sala de aula?

A atividade pode ser realizada de maneira individual, seguida de uma conversa coletiva.

1. Faça uma breve introdução

Antes de entregar a folha, apresente o tema Agosto Lilás e explique que a aula será uma oportunidade para conversar sobre respeito, limites, privacidade e relacionamentos saudáveis.

Evite começar com uma longa explicação. Uma pergunta simples pode despertar a curiosidade da turma:

“Até onde vai o cuidado e onde começa o controle?”

Deixe os estudantes apresentarem algumas ideias antes de iniciar a atividade.

2. Faça a leitura da história

Entregue a atividade “O celular de Júlia” e faça a leitura da história.

O professor pode realizar a leitura em voz alta ou solicitar que os estudantes façam uma leitura individual ou compartilhada.

3. Deixe os estudantes responderem

Reserve um momento para que cada aluno responda às quatro questões.

É interessante evitar fornecer imediatamente uma resposta considerada “correta”. As perguntas foram elaboradas justamente para estimular o pensamento e a argumentação.

4. Promova uma conversa

Depois que todos responderem, convide os estudantes a compartilhar suas opiniões.

Nesse momento, o professor pode retomar algumas perguntas:

“Lucas tinha direito de acessar as mensagens de Júlia?”

“Confiança significa mostrar tudo?”

“Qual é a diferença entre cuidado e controle?”

“Por que pode ser difícil perceber determinados comportamentos como abusivos?”

“O que podemos fazer quando um amigo precisa de ajuda?”

A conversa deve ser conduzida com respeito às diferentes opiniões, aproveitando os argumentos apresentados pelos próprios estudantes para aprofundar a discussão.

⚠️ Um cuidado importante: não culpabilizar Júlia

A terceira questão merece atenção especial.

Ao discutir por que Júlia aceitou apagar a fotografia e permitiu que Lucas mexesse em seu celular, podem surgir comentários como:

“Eu não deixaria.”

“Ela foi boba.”

“Era só terminar com ele.”

Esse é um momento importante para a intervenção pedagógica.

O professor pode ajudar a turma a compreender que estar em uma situação de pressão, medo, insegurança ou manipulação pode dificultar a tomada de decisões.

Em vez de perguntar apenas por que Júlia “deixou”, podemos perguntar:

“O que pode fazer uma pessoa ter dificuldade para estabelecer limites em uma relação?”

Essa mudança de perspectiva favorece a empatia e evita que a responsabilidade pelo comportamento de Lucas seja transferida para Júlia.

E se algum estudante trouxer um relato pessoal?

Esse tipo de tema pode despertar lembranças ou levar estudantes a comentarem situações que conhecem.

Se surgir um relato pessoal, é importante que o professor acolha sem expor o estudante diante da turma.

O relato não deve ser transformado em uma discussão coletiva sobre a vida daquela pessoa.

O professor pode reconhecer a importância do que foi compartilhado e, quando necessário, buscar apoio da equipe responsável da escola e seguir os protocolos de proteção da instituição e da rede de ensino.

O mais importante é que o estudante perceba que não precisa enfrentar sozinho uma situação de violência, controle ou desrespeito.

📄 Baixe gratuitamente o material completo

Para facilitar a aplicação em sala de aula, o Blog Ello Educar preparou um material em PDF pronto para imprimir.

O arquivo inclui:

  • atividade “O celular de Júlia”;
  • gabarito;
  • expectativas de respostas;
  • orientações de mediação para cada questão;
  • objetivos pedagógicos;
  • habilidades da BNCC;
  • Competências Gerais da BNCC;
  • orientações para o professor;
  • material organizado em formato de Manual do Professor.

Assim, o professor pode conhecer a proposta, imprimir a atividade e utilizá-la de acordo com as necessidades da sua turma.

Veja mais atividades para trabalhar o Agosto Lilás no Fundamental II:

Baixe gratuitamente a atividade e o Manual do Professor aqui

Atividades Agosto Lilás para os anos finais
📥 BAIXAR ATIVIDADE EM PDF

Importante: o material foi elaborado para uso pedagógico e em sala de aula. Consulte as orientações de direitos autorais incluídas no próprio PDF antes de compartilhar ou reproduzir o conteúdo.

💜 O trabalho pode continuar depois da atividade

A folha “O celular de Júlia” pode ser utilizada como o primeiro momento de uma sequência pedagógica maior.

Depois da leitura e da discussão, o professor pode ampliar o tema com uma dinâmica mais participativa: o Mural de Mitos e Verdades.

Nessa proposta, os estudantes analisam afirmações relacionadas a ciúme, controle, violência psicológica, violência doméstica, masculinidade, respeito e relacionamentos saudáveis. A dinâmica foi planejada para estimular movimento, votação, justificativa das respostas e intervenção pedagógica do professor.

Também foram preparadas frases para o mural e propostas de pacto coletivo da turma, permitindo que os estudantes expressem compromissos relacionados ao respeito e à construção de relações sem violência.

👉 Essa é justamente a continuação da proposta que apresentaremos no próximo artigo.

CONTINUE A SEQUÊNCIA → Agosto Lilás na escola: dinâmicas e atividades para os anos finais

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