Trabalhar o Agosto Lilás com estudantes do 8º ano é uma oportunidade para promover informação, reflexão e prevenção da violência contra a mulher, abordando o tema de maneira adequada à adolescência.
Pensando nisso, o Blog Ello Educar preparou um livro de atividades sobre Agosto Lilás para o 8º ano do Ensino Fundamental, com propostas que vão além da simples identificação dos diferentes tipos de violência.
O material foi desenvolvido para estimular os estudantes a refletirem sobre relações saudáveis, respeito, consentimento, limites, manipulação psicológica, gênero e mídia, direitos, Lei Maria da Penha e rede de apoio.
A proposta é trabalhar o tema a partir de uma perspectiva preventiva, ajudando os adolescentes a reconhecer comportamentos de respeito e situações que merecem atenção, além de compreender que buscar ajuda diante de uma situação de violência é uma atitude de proteção.
O material está disponível gratuitamente em PDF para professores que desejam desenvolver atividades de conscientização sobre o Agosto Lilás com turmas do 8º ano.
Como trabalhar o Agosto Lilás com o 8º ano?
Trabalhar o Agosto Lilás com o 8º ano do Ensino Fundamental exige uma abordagem adequada à faixa etária, que vá além da apresentação de conceitos sobre violência contra a mulher.
Na adolescência, os estudantes estão ampliando suas relações sociais, construindo valores, desenvolvendo autonomia e entrando em contato com diferentes modelos de relacionamento apresentados pela família, pelos amigos, pela mídia e pelas redes sociais.
Por isso, o trabalho pedagógico pode aproveitar esse momento para discutir respeito, limites, consentimento, empatia, igualdade, liberdade e responsabilidade.
A prevenção também precisa fazer parte dessa conversa. O próprio Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios prevê a prevenção primária como um conjunto de ações destinadas a evitar que a violência aconteça, incluindo mudanças de atitudes e comportamentos, enfrentamento de estereótipos de gênero e promoção de uma cultura de respeito. A educação aparece entre os setores envolvidos nessas ações preventivas.
Assim, o Agosto Lilás pode ser trabalhado na escola não apenas como uma campanha de conscientização, mas como uma oportunidade para desenvolver educação para o respeito e para a convivência.
Quais temas trabalhar com os alunos do 8º ano?
Para essa faixa etária, é possível abordar o tema de maneira mais aprofundada, utilizando situações próximas da realidade dos adolescentes, mas sem exigir que eles compartilhem experiências pessoais.
1. Relações saudáveis
O primeiro passo é ajudar o estudante a compreender o que caracteriza uma relação baseada em respeito.
Uma relação saudável pode envolver:
- diálogo;
- confiança;
- respeito aos limites;
- liberdade;
- responsabilidade;
- empatia;
- reciprocidade.
Também é importante conversar sobre comportamentos que às vezes são apresentados como demonstrações de amor, mas que podem representar controle ou desrespeito, como exigir senhas, controlar amizades, determinar roupas, monitorar constantemente o celular ou impedir a convivência com outras pessoas.
O objetivo não é ensinar o adolescente a classificar todos os conflitos como violência, mas ajudá-lo a perceber a diferença entre conflito, cuidado, controle e comportamento abusivo.
2. Consentimento e respeito aos limites
O conceito de consentimento é especialmente importante quando trabalhamos com adolescentes.
A escola pode ajudar os estudantes a compreender que cada pessoa possui limites e que esses limites precisam ser respeitados.
Algumas perguntas podem iniciar a conversa:
Posso mudar de ideia?
Posso dizer não mesmo estando em um relacionamento?
Insistir depois de uma recusa é respeitar o outro?
O fato de duas pessoas namorarem significa que uma tem direito sobre o corpo da outra?
A discussão pode ser conduzida de maneira simples, reforçando que ninguém deve ser pressionado a fazer algo que não deseja.
Também é importante mostrar que respeito não significa apenas ouvir uma palavra de recusa, mas considerar situações de desconforto, pressão, medo ou constrangimento.
3. Violência psicológica e manipulação
Nem toda violência deixa marcas físicas.
Por isso, o estudante precisa conhecer também comportamentos como:
- humilhação;
- ameaças;
- chantagem;
- desvalorização;
- controle;
- intimidação;
- isolamento;
- manipulação.
O conceito de gaslighting pode ser apresentado de maneira introdutória, utilizando exemplos fictícios, como alguém negar repetidamente acontecimentos, afirmar que a outra pessoa está “louca” ou fazer com que ela passe a duvidar constantemente de suas próprias lembranças e percepções.
É importante, porém, orientar os estudantes a não transformar esse conhecimento em uma ferramenta para diagnosticar ou rotular colegas, familiares ou namorados.
O objetivo da escola é promover conhecimento e prevenção.
4. Gênero, mídia e redes sociais
Os adolescentes recebem diariamente mensagens sobre relacionamentos.
Elas aparecem em:
- músicas;
- vídeos;
- novelas;
- filmes;
- séries;
- reality shows;
- memes;
- influenciadores;
- redes sociais.
Algumas dessas mensagens podem apresentar comportamentos de posse, ciúme ou agressividade como se fossem demonstrações de amor.
Esse é um excelente momento para desenvolver pensamento crítico.
Em vez de perguntar apenas:
“Essa música é boa ou ruim?”
o professor pode perguntar:
“Que ideia sobre relacionamento essa mensagem transmite?”
“O comportamento apresentado seria saudável na vida real?”
“A popularidade de um conteúdo significa que a mensagem está correta?”
“Existe diferença entre representar um comportamento e defender esse comportamento?”
Dessa maneira, a escola não precisa censurar determinados conteúdos, mas pode ensinar os estudantes a analisar criticamente as mensagens que consomem.
5. Lei Maria da Penha e conhecimento dos direitos
No 8º ano, a Lei Maria da Penha pode ser apresentada de maneira mais aprofundada do que em etapas anteriores.
O estudante pode conhecer:
- por que a lei foi criada;
- quem foi Maria da Penha;
- o que caracteriza a violência doméstica e familiar;
- as diferentes formas de violência reconhecidas pela legislação;
- a existência das medidas protetivas;
- a importância da rede de proteção;
- a diferença entre proteção e punição.
O objetivo não é transformar a aula em uma exposição jurídica.
A legislação deve ser utilizada como instrumento para ajudar o estudante a compreender que a violência contra a mulher envolve direitos, proteção e responsabilidade social.
Como a legislação brasileira passa por atualizações, é recomendável que o professor consulte sempre fontes oficiais antes de apresentar informações jurídicas específicas. O Ministério das Mulheres mantém uma relação atualizada de normas relacionadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres.
6. Rede de apoio e busca de ajuda
Outro ponto fundamental é ensinar que ninguém precisa enfrentar sozinho uma situação de violência.
Os estudantes podem aprender que existem pessoas e instituições que podem oferecer acolhimento, orientação e encaminhamento.
Entre os serviços e estruturas que podem ser apresentados estão:
- adultos de confiança;
- escola e equipe responsável pela proteção dos estudantes;
- Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs);
- Defensoria Pública;
- serviços de assistência social;
- Casa da Mulher Brasileira, onde houver;
- Ligue 180.
O Programa Mulher Viver sem Violência, do Governo Federal, trabalha justamente com a articulação de serviços de saúde, segurança pública, justiça e assistência social, além de prever ações educativas e campanhas de conscientização.
Na atividade, porém, o mais importante é deixar claro que o adolescente não deve tentar resolver sozinho uma situação de violência.
Agosto Lilás na escola: por que trabalhar a prevenção?
A violência contra a mulher não deve ser discutida na escola somente quando ocorre um caso concreto.
A prevenção também faz parte do enfrentamento à violência.
O Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios estabelece a prevenção primária como um conjunto de ações destinadas a evitar que a violência aconteça, incluindo mudanças de atitudes, crenças e comportamentos, enfrentamento de estereótipos de gênero e promoção de uma cultura de respeito e não tolerância à violência. O documento também reconhece a participação da educação nesse processo.
Essa perspectiva ajuda a compreender por que trabalhar o Agosto Lilás com adolescentes pode ser tão importante.
A escola pode contribuir para que os estudantes aprendam, desde cedo, que:
Respeito não é controle;
Ciúme não dá direito de controlar outra pessoa;
Amor não justifica violência;
Um relacionamento não elimina a autonomia individual;
Um “não” deve ser respeitado;
Humilhação e ameaças não são formas saudáveis de resolver conflitos;
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza.
A importância de desconstruir a naturalização da violência
Alguns comportamentos podem ser apresentados na sociedade como normais ou até como demonstrações de amor.
Frases como:
“Ele tem ciúme porque ama.”
“Ela não deixa o namorado sair porque se preocupa.”
“Quem está namorando não precisa de amigos do sexo oposto.”
“Se ele ficou com raiva, é porque ela provocou.”
podem parecer comuns em diferentes contextos.
Entretanto, essas ideias podem contribuir para a naturalização do controle, da posse e da responsabilização da vítima.
Por isso, a escola pode ajudar os estudantes a questionar essas mensagens.
O objetivo não é dizer aos adolescentes o que devem pensar sobre seus relacionamentos, mas oferecer conhecimentos e ferramentas para que possam analisar comportamentos de maneira crítica.
Educação para o uso crítico das mídias
As redes sociais fazem parte da vida cotidiana de muitos adolescentes.
Por isso, discutir Agosto Lilás também pode ser uma oportunidade para trabalhar educação midiática.
Uma postagem com milhares de curtidas não é necessariamente uma mensagem saudável.
Uma música popular não precisa ser tomada como modelo de comportamento.
Uma cena de novela, filme ou série pode representar uma relação problemática sem que isso signifique que aquele comportamento seja adequado para a vida real.
O professor pode incentivar perguntas como:
🔎 O que essa mensagem está dizendo?
💭 Que ideia de relacionamento ela apresenta?
⚠️ Existe controle ou respeito?
🧠 Essa atitude seria saudável na vida real?
📱 Por que esse tipo de conteúdo faz tanto sucesso?
Essas perguntas ajudam o estudante a passar de consumidor de conteúdo para leitor crítico das mensagens que recebe.
A Lei Maria da Penha pode ser trabalhada com adolescentes?
Sim.
Porém, a abordagem deve ser adequada à faixa etária e ao objetivo pedagógico.
No 8º ano, não é necessário transformar a aula em uma exposição detalhada de artigos, penas e procedimentos jurídicos.
É mais importante que o estudante compreenda:
- por que a lei existe;
- o que ela busca prevenir e combater;
- que existem diferentes formas de violência;
- que a mulher possui direitos;
- que existem mecanismos de proteção;
- que existem serviços especializados;
- que a violência não deve ser naturalizada.
A própria Lei Maria da Penha estabelece mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher e prevê medidas de assistência e proteção. A legislação também reconhece diferentes formas de violência, incluindo física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
Além disso, a legislação passou por atualizações recentes. Em 2025, a lei passou a ser oficialmente denominada Lei Maria da Penha, e em 2026 foram acrescentadas alterações importantes, incluindo a previsão da violência vicária entre as formas de violência doméstica e familiar e mudanças relacionadas à proteção diante de riscos à integridade sexual, psicológica, moral e patrimonial.
Por isso, materiais pedagógicos que apresentem informações jurídicas devem ser revisados periodicamente.
Cuidados ao abordar o Agosto Lilás com adolescentes
Embora seja um tema importante, a violência contra a mulher é também um assunto sensível.
Por isso, o professor precisa criar um ambiente de aprendizagem baseado em respeito, segurança e acolhimento.
1. Não peça relatos pessoais
O estudante não precisa contar se já vivenciou violência, se conhece alguém nessa situação ou se existe algum caso em sua família.
As atividades podem ser respondidas utilizando os exemplos fictícios apresentados no material.
2. Evite culpabilizar a vítima
Comentários como:
“Por que ela não terminou?”
“Por que ela continuou com ele?”
“Por que não pediu ajuda antes?”
podem reforçar a culpabilização da vítima.
O professor pode substituir essas perguntas por:
“Quais barreiras podem dificultar que uma pessoa procure ajuda?”
Essa mudança ajuda a desenvolver empatia e compreensão.
3. Não transforme a sala em um tribunal
As situações-problema devem ser utilizadas para analisar comportamentos, e não para rotular ou condenar pessoas.
Uma discussão, um erro ou um conflito isolado não deve ser automaticamente classificado como violência.
O professor deve estimular a análise do contexto, da frequência, da intenção, dos comportamentos e dos impactos.
4. Evite descrições desnecessariamente violentas
Não é necessário utilizar relatos gráficos ou detalhes que possam causar desconforto para explicar o problema.
O foco do material está em:
reconhecer → refletir → prevenir → buscar ajuda.
5. Não incentive confrontos
Se um estudante identificar uma possível situação de violência, ele não deve ser orientado a confrontar o agressor ou tentar investigar sozinho.
O mais seguro é procurar um adulto responsável e os canais de proteção adequados, conforme a situação.
E se um aluno revelar uma situação de violência?
Essa é uma das questões mais importantes para o professor.
Se um estudante espontaneamente revelar uma situação de violência, a conversa não deve se transformar em uma investigação pública.
O professor deve:
- escutar com atenção;
- evitar julgamentos;
- não fazer perguntas desnecessárias;
- preservar a privacidade do estudante;
- comunicar a equipe responsável da escola;
- seguir os protocolos da instituição e da rede de ensino;
- buscar os encaminhamentos de proteção previstos para a situação.
⚠️ Importante
O professor não deve assumir sozinho a função de investigador, mediador entre vítima e agressor ou responsável pela solução do caso.
A escola deve seguir seus protocolos institucionais e a legislação aplicável.
O papel dos colegas e da comunidade
Uma das mensagens mais importantes deste material é que ajudar não significa resolver sozinho.
Se um adolescente perceber que uma colega está passando por uma situação preocupante, ele pode:
Escutar sem julgar;
Levar a situação a sério;
Procurar um adulto de confiança;
Incentivar a busca de ajuda;
Não espalhar a história entre os colegas;
Não confrontar o possível agressor sozinho.
Esse princípio aparece também nas atividades do material sobre rede de ap
Conheça as atividades do Agosto Lilás para o 8º ano do Blog Ello Educar
O Agosto Lilás é uma mobilização nacional voltada à conscientização, prevenção e enfrentamento da violência contra as mulheres. A campanha também busca fortalecer o conhecimento sobre direitos e a rede de proteção.
Para os estudantes do 8º ano, o tema pode ser trabalhado de maneira mais ampla, relacionando a prevenção da violência à construção de relações baseadas em respeito, diálogo, igualdade, autonomia e responsabilidade.
Por isso, este material não foi pensado como uma sequência de atividades centrada apenas na violência. Foi a partir dessa perspectiva que a professora Lídia Maria, pedagoga e psicopedagoga, elaborou as atividades deste material.


A proposta começa antes dela.
Os estudantes são convidados a refletir sobre perguntas como:
- O que caracteriza uma relação saudável?
- Qual é a diferença entre cuidado e controle?
- O que significa respeitar os limites de outra pessoa?
- O que é consentimento?
- Como reconhecer comportamentos de manipulação?
- O ciúme pode ser confundido com amor?
- Como músicas, vídeos, novelas e redes sociais influenciam nossa percepção sobre relacionamentos?
- Para que serve a Lei Maria da Penha?
- Onde uma mulher em situação de violência pode buscar ajuda?
- Como amigos, colegas e a comunidade podem contribuir sem colocar ninguém em risco?
Dessa maneira, o estudante não é colocado apenas na posição de alguém que precisa identificar uma violência, mas também como sujeito capaz de refletir sobre suas próprias atitudes e contribuir para relações mais respeitosas.
O que você encontrará no livro de atividades?
O livro foi organizado em uma sequência de 10 atividades, permitindo que o professor desenvolva o conteúdo gradualmente.
Atividade 1 – Relações saudáveis
A primeira atividade introduz o tema a partir de comportamentos presentes em relações de amizade e namoro, levando os estudantes a diferenciar cuidado, respeito, confiança e controle.

O objetivo é mostrar que uma relação saudável não significa ausência de conflitos, mas presença de diálogo, respeito aos limites e liberdade individual.
Atividade 2 – Nem toda violência deixa marcas visíveis
Nesta etapa, os estudantes conhecem diferentes formas de violência contra a mulher, incluindo as dimensões física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

A proposta utiliza situações próximas do cotidiano para mostrar que violência não se resume à agressão física.
Atividade 3 – Consentimento: meu corpo, meus limites
A atividade trabalha o conceito de consentimento e a importância de respeitar o “não”, os limites e as escolhas de cada pessoa.

Os estudantes analisam situações de pressão e respeito e refletem sobre como o consentimento está relacionado à construção de relações saudáveis.
Atividade 4 – Gaslighting e manipulação psicológica
Nesta atividade, os alunos conhecem o conceito de gaslighting como uma forma de manipulação psicológica que pode fazer uma pessoa duvidar constantemente de suas próprias percepções, lembranças ou sentimentos.

A abordagem é feita por meio de situações fictícias, evitando transformar o conceito em uma ferramenta para rotular pessoas ou relacionamentos.
Atividade 5 – Gênero e mídia
Músicas, séries, novelas, reality shows, vídeos e redes sociais também podem apresentar diferentes ideias sobre amor e relacionamentos.
Nesta atividade, os estudantes são convidados a analisar criticamente mensagens que podem apresentar ciúme, posse, controle ou agressividade como demonstrações de amor.

A intenção não é classificar um gênero musical ou determinado conteúdo como “bom” ou “ruim”, mas desenvolver a capacidade de questionar as mensagens recebidas.
Atividade 6 – Lei Maria da Penha
Os estudantes conhecem, em linguagem adequada à faixa etária, a finalidade da Lei Maria da Penha, sua importância para a prevenção e o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher e alguns mecanismos de proteção.

A atividade também propõe uma pequena pesquisa para estimular o contato com fontes confiáveis.
Atividade 7 – Rede de apoio
Nesta etapa, o estudante conhece diferentes caminhos para buscar orientação e proteção.
O material apresenta o Ligue 180, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), a Defensoria Pública e outros integrantes da rede de atendimento.

Também é trabalhada a importância de procurar adultos de confiança e não tentar resolver sozinho uma situação de violência.
Atividade 8 – Meu compromisso com o respeito
Depois de conhecer os principais conceitos, o estudante é convidado a refletir sobre aquilo que aprendeu e elaborar seu próprio compromisso com o respeito.

A proposta também inclui a produção de um pequeno manifesto ou mensagem para outros adolescentes.
Atividade 9 – Desafio Final: Parte 1
Os estudantes analisam situações-problema e utilizam os conhecimentos construídos nas atividades anteriores para identificar comportamentos saudáveis, sinais de alerta e situações de violência.

Atividade 10 – Desafio Final: Parte 2
A segunda parte do desafio retoma conceitos como consentimento, mídia, rede de apoio e relações saudáveis.

Ao final, os estudantes também criam sua própria situação-problema, demonstrando aquilo que compreenderam durante a sequência.
E o professor também recebe material de apoio
Além das atividades dos estudantes, o PDF conta com 3 páginas exclusivas para o professor.
Página do Professor 1
Apresenta:
- objetivo geral e objetivos específicos;
- orientações pedagógicas;
- habilidades e competências;
- sugestão de aplicação;
- metodologia;
- cuidados ao abordar o tema;
- orientações sobre questões pessoais;
- cuidados diante de uma possível revelação espontânea de violência.

Página do Professor 2
Traz o gabarito comentado das atividades 1 a 4, incluindo orientações para a correção das questões abertas.

Página do Professor 3
Apresenta o gabarito comentado das atividades 5 a 10, além de orientações para avaliação, sugestão de culminância, proposta de debate e referências para consulta.

Assim, o professor recebe não apenas as folhas de atividades, mas uma pequena sequência pedagógica acompanhada de orientações para sua aplicação.
🌷 Uma proposta pensada para prevenir, não para expor
Por se tratar de um tema sensível, as atividades foram construídas com situações fictícias e questões reflexivas.
O estudante não precisa contar experiências pessoais para participar.
O objetivo é criar um espaço de aprendizagem no qual a turma possa discutir respeito, limites, consentimento, direitos e prevenção sem expor a vida pessoal dos estudantes.
O professor também é orientado a evitar julgamentos, culpabilização das vítimas e situações que possam colocar alunos em exposição.
💜 Informar também é prevenir.
Quando adolescentes aprendem a reconhecer comportamentos de respeito, compreender seus limites, questionar mensagens que naturalizam a violência e conhecer caminhos seguros para buscar ajuda, a escola contribui para a construção de relações mais saudáveis.
Uma sequência pedagógica para trabalhar o Agosto Lilás
As atividades deste material foram organizadas para que o professor possa trabalhar os conteúdos progressivamente.
Não é necessário aplicar todas as atividades em uma única aula.
Uma possibilidade é desenvolver a sequência ao longo de várias aulas.
Aula 1 – Relações saudáveis e formas de violência
Atividades 1 e 2
Comece perguntando aos estudantes:
“O que faz uma relação ser saudável?”
Registre algumas respostas no quadro e, em seguida, apresente a atividade.
Depois, avance para as diferentes formas de violência, mostrando que agressões podem ocorrer de maneiras diferentes.
Objetivo: construir uma base conceitual antes de abordar situações mais complexas.
Aula 2 – Consentimento e limites
Atividade 3
A aula pode começar com uma pergunta simples:
“O que significa respeitar o limite de outra pessoa?”
A partir das respostas, trabalhe situações fictícias envolvendo recusa, pressão e respeito.
Objetivo: compreender que cada pessoa possui autonomia e que o “não” deve ser respeitado.
Aula 3 – Gaslighting e manipulação psicológica
Atividade 4
Apresente o conceito por meio da situação fictícia proposta na atividade.
Depois, peça que os alunos identifiquem quais comportamentos chamaram sua atenção.
Objetivo: reconhecer sinais de manipulação psicológica e compreender a importância de buscar apoio.
Aula 4 – Gênero e mídia
Atividade 5
Esta pode ser uma das aulas mais participativas.
O professor pode apresentar pequenas frases ou situações presentes na atividade e perguntar:
“Essa mensagem apresenta uma relação baseada em respeito ou controle?”
Depois, promova uma discussão sobre como diferentes mídias podem influenciar nossa maneira de pensar sobre relacionamentos.
Objetivo: desenvolver pensamento crítico diante de estereótipos e mensagens sobre gênero e relacionamentos.
Aula 5 – Lei Maria da Penha
Atividade 6
Apresente brevemente a origem e a finalidade da Lei Maria da Penha e, depois, deixe os estudantes realizarem a pesquisa proposta.
Sempre que possível, incentive a consulta a fontes oficiais.
Objetivo: ampliar o conhecimento sobre direitos e mecanismos de proteção.
Aula 6 – Rede de apoio
Atividade 7
Converse com a turma sobre a importância de procurar ajuda.
Uma pergunta interessante é:
“Se alguém contar para você que está sofrendo violência, o que você pode fazer sem colocar essa pessoa ou você mesmo em risco?”
O foco deve estar em escutar, acolher e procurar ajuda adequada, e não em investigar ou confrontar o possível agressor.
Objetivo: conhecer caminhos seguros de proteção e apoio.
Aula 7 – Meu compromisso com o respeito
Atividade 8
Depois de trabalhar os conceitos anteriores, os estudantes são convidados a refletir sobre o que aprenderam.
O professor pode solicitar que cada aluno produza uma frase para um possível mural da escola.
Objetivo: transformar conhecimento em posicionamento e compromisso com atitudes respeitosas.
Aulas 8 e 9 – Desafio Final
Atividades 9 e 10
Nesta etapa, os estudantes colocam em prática o que aprenderam.
Eles analisam situações-problema e precisam identificar:
- relações saudáveis;
- sinais de alerta;
- controle;
- desrespeito aos limites;
- violência;
- manipulação;
- rede de apoio.
Objetivo: verificar se os conceitos foram realmente compreendidos e desenvolver capacidade de análise e argumentação.
O professor precisa aplicar todas as atividades?
Não.
As atividades foram organizadas como uma sequência completa, mas podem ser adaptadas.
O professor pode escolher determinadas páginas de acordo com:
- o tempo disponível;
- o perfil da turma;
- o planejamento da escola;
- projetos interdisciplinares;
- objetivos da aula;
- ações desenvolvidas durante o Agosto Lilás.
Também é possível trabalhar as atividades de maneira interdisciplinar, envolvendo componentes como Língua Portuguesa, História, Geografia, Ensino Religioso ou projetos de cidadania, conforme a organização curricular da escola.
Uma sugestão para tornar a aula mais participativa
Em vez de apresentar todas as respostas imediatamente, o professor pode utilizar a estratégia:
“O que você faria?”
Leia uma situação e pergunte:
“Qual seria a atitude mais respeitosa nessa situação?”
Depois:
“Por que você escolheu essa resposta?”
E, finalmente:
“O que poderia acontecer se esse comportamento fosse tratado como normal?”
Essa sequência estimula o estudante a observar → refletir → argumentar.
Também ajuda a evitar que a atividade se transforme apenas em uma lista de respostas certas e erradas.
🌷 O Agosto Lilás como oportunidade de prevenção
A escola tem um papel importante na formação de crianças e adolescentes para a convivência respeitosa.
A prevenção da violência não começa somente quando ocorre uma agressão.
Ela também envolve trabalhar, desde cedo, questões relacionadas a:
respeito aos limites, igualdade, empatia, diálogo, autonomia, responsabilidade e rejeição à violência.
Essa perspectiva está alinhada à ideia de prevenção primária presente nas políticas nacionais de enfrentamento à violência contra as mulheres, que incluem ações educativas voltadas à mudança de atitudes, à superação de estereótipos e à construção de relações de igualdade e respeito.
Por isso, trabalhar o Agosto Lilás com o 8º ano pode ser uma oportunidade para transformar uma campanha de conscientização em um projeto educativo de prevenção e cidadania.
Para lembrar
Não é preciso esperar a violência acontecer para ensinar sobre respeito.
A prevenção começa quando aprendemos a reconhecer nossos limites, respeitar os limites dos outros e compreender que ninguém tem direito de controlar, humilhar ou violentar outra pessoa.
Atividades sobre Agosto Lilás para 8º ano e a BNCC
As atividades sobre Agosto Lilás para o 8º ano foram planejadas para trabalhar não apenas conhecimentos sobre a violência contra a mulher, mas também leitura, pesquisa, argumentação, pensamento crítico, participação em discussões e formação para a cidadania.
Por isso, a proposta pode dialogar especialmente com habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) relacionadas à participação em discussões sobre temas socialmente relevantes, pesquisa de informações e construção de argumentos.
Habilidades da BNCC contempladas
EF69LP13
Engajar-se e contribuir com a busca de conclusões comuns relativas a problemas, temas ou questões polêmicas de interesse da turma e/ou de relevância social.
Essa habilidade aparece principalmente nas rodas de conversa, discussões e reflexões propostas ao longo da sequência.
O Agosto Lilás apresenta um tema de relevância social que pode ser discutido de maneira respeitosa, permitindo que os estudantes apresentem suas percepções e construam conclusões coletivamente.
EF69LP14
Formular perguntas e decompor temas ou questões polêmicas para análise mais minuciosa e buscar, em fontes diversas, informações ou dados que permitam analisar partes da questão e compartilhá-los com a turma.
Essa habilidade é especialmente mobilizada nas atividades de pesquisa, como a proposta relacionada à Lei Maria da Penha.
O estudante é incentivado a buscar informações em fontes confiáveis, selecionar dados relevantes e utilizá-los para ampliar sua compreensão sobre o tema.
EF69LP15
Apresentar argumentos e contra-argumentos coerentes, respeitando os turnos de fala, na participação em discussões sobre temas controversos e/ou polêmicos.
Essa habilidade pode ser trabalhada durante as discussões sobre:
- relações saudáveis;
- ciúme e controle;
- consentimento;
- mensagens presentes nas mídias;
- estereótipos de gênero;
- prevenção da violência.
O professor pode estimular os alunos a explicar por que pensam de determinada maneira, respeitando opiniões diferentes e evitando ataques pessoais.
EF69LP24
Essa habilidade envolve discutir casos reais ou simulados relacionados ao desrespeito a direitos e à legislação, favorecendo a familiarização dos estudantes com textos legais e com a defesa de direitos.
Ela se relaciona diretamente às atividades que apresentam situações-problema e à introdução da Lei Maria da Penha.
A proposta não é transformar os estudantes em especialistas em legislação, mas ajudá-los a compreender que existem leis e mecanismos de proteção destinados a enfrentar situações de violência.
Por que essas habilidades combinam com o tema?
O Agosto Lilás permite desenvolver aprendizagens que ultrapassam a memorização de conceitos.
Ao analisar uma situação de controle, por exemplo, o estudante precisa ler, interpretar, refletir e justificar seu posicionamento.
Ao pesquisar sobre a Lei Maria da Penha, precisa formular perguntas, localizar informações e avaliar fontes.
Ao analisar uma música, postagem ou situação apresentada pela mídia, precisa questionar mensagens e construir uma interpretação crítica.
E, ao participar de uma discussão, precisa aprender a expressar sua opinião e ouvir outras perspectivas com respeito.
Dessa forma, o tema pode ser trabalhado como uma oportunidade de desenvolver diferentes dimensões da aprendizagem.
Como avaliar as atividades?
Por se tratar de uma proposta de conscientização e formação cidadã, o professor pode utilizar o material como avaliação formativa.
Mais importante do que verificar apenas o número de respostas corretas é observar se o estudante consegue:
RECONHECER
Identificar comportamentos de respeito, controle e violência.
COMPREENDER
Explicar conceitos como consentimento, limites e manipulação.
ARGUMENTAR
Apresentar sua opinião e justificar seu posicionamento.
ANALISAR
Questionar mensagens e estereótipos presentes nas mídias.
CONHECER
Compreender a finalidade da legislação e da rede de proteção.
AGIR COM RESPONSABILIDADE
Reconhecer quando é necessário buscar ajuda de um adulto ou serviço especializado.
Baixe o material gratuitamente
Se você está procurando atividades sobre Agosto Lilás para 8º ano, este material pode ser utilizado como sequência pedagógica durante o mês de agosto ou adaptado ao planejamento da escola.
PDF GRATUITO — AGOSTO LILÁS | 8º ANO
Você recebe:
✔ 10 atividades para os alunos
✔ 3 páginas do professor
✔ Gabarito comentado
✔ Habilidades da BNCC
✔ Situações-problema
✔ Atividades de reflexão e pesquisa
✔ Proposta de culminância
Material elaborado para fins educacionais e de conscientização, com linguagem adequada ao público do 8º ano do Ensino Fundamental.
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Importante: o material é gratuito e destinado ao uso pessoal e pedagógico. A impressão para utilização com os estudantes em sala de aula é permitida, respeitando a identificação de autoria. A comercialização, revenda, redistribuição do arquivo ou disponibilização em outros sites, blogs, grupos ou plataformas não é permitida.
Mais do que uma atividade, uma oportunidade de diálogo
O Agosto Lilás pode ser um ponto de partida para conversas que continuam depois do mês de agosto.
Quando a escola ensina os estudantes a respeitar limites, reconhecer comportamentos de controle, questionar estereótipos e buscar ajuda diante de situações de violência, ela contribui para uma cultura de respeito, igualdade e não tolerância à violência.
Essa perspectiva está alinhada às políticas nacionais de prevenção, que incluem ações educativas voltadas à transformação de atitudes, ao enfrentamento de estereótipos e à promoção de relações de igualdade.
Por isso, trabalhar o Agosto Lilás com o 8º ano não precisa ser apenas uma atividade realizada durante uma campanha.
Pode ser uma oportunidade para desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes que acompanham os estudantes para além da sala de aula.
Mais atividades sobre o Agosto Lilás
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- Atividades Agosto Lilás para Anos Finais: atividade sobre relacionamentos saudáveis
- Agosto Lilás na Escola: atividades e dinâmica para os anos finais
- Atividades sobre o Agosto Lilás para 6º ano: trabalhando respeito, empatia e diálogo
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